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Denise Assis

Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" , "Imaculada" e "Claudio Guerra: Matar e Queimar".

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Ministro veta cuidados de cunhado de Bolsonaro, por falta de qualificação

Defesa, entretanto, apresentou o nome de Carlos Eduardo Antunes Torres, sem qualquer indicação de sua qualificação como enfermeiro ou técnico de enfermagem

Jair Bolsonaro chega à casa onde cumpre pena em prisão domiciliar (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Cunhado não é parente, reza a máxima. Carlos Eduardo Antunes Torres, um irmão de criação de Michelle Bolsonaro, entrou na lista de pessoas com livre acesso para “cuidar” de Jair, na prisão domiciliar humanitária, que passou a cumprir desde a decisão de 24 de março, depois de os médicos do Hospital DF-Star, em Brasília terem atestado uma broncopneumonia por aspiração de alimentos, em seu pulmão. Nesta segunda-feira, 06/04, o ministro Alexandre de Moraes deu 48 horas à defesa, para que explique a qualificação do cunhado para a função sugerida pelos advogados.

Até ser incluído na lista dos que terão livre acesso à residência de Jair – assim como a mulher, os filhos e os advogados -, a função de Carlos Eduardo era entrar na Superintendência da Polícia Federal, para onde Bolsonaro foi levado depois de tentar romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, com as quentinhas preparadas por Michelle.

Outra notícia que se teve de Carlos Eduardo foi a sua pretensão de candidatar-se a deputado distrital pelo PL. Como a Bolsonaro está vetado portar celular ou ter acesso a aparelhos de terceiro, é mesmo de se estranhar que, em plena montagem de palanques e chapas Brasil a fora, em apoio a Flávio Bolsonaro, o cunhado, em plena disposição de se tornar um quadro político, tenha tamanha licenciosidade.

Torres já havia tentado a eleição para o mesmo cargo em 2018 e 2022, sem sucesso. No entanto, sua ligação com Bolsonaro, o tornou uma figura conhecida entre os apoiadores do ex-presidente. A prática de levar as refeições à superintendência da Polícia Federal, após Bolsonaro tentar romper a tornozeleira eletrônica, tornou conhecida a sua imagem entre os bolsonaristas.

A Defesa, entretanto, apresentou o nome de Carlos Eduardo Antunes Torres, sem qualquer indicação de sua qualificação como enfermeiro ou técnico de enfermagem, descrevendo-o como “irmão de criação da esposa do réu (filho de sua madrasta) e pessoa de confiança da família e que já exerceu a atividade de acompanhante do Peticionário em outros momentos” (eDoc. 823).

“Dessa maneira, nos termos do art. 21 do Regimento Interno” do STF, o ministro Moraes determinou: “que a Defesa do custodiado apresente as qualificações profissionais de Carlos Eduardo Antunes Torres, em cumprimento à decisão de 24/3/2026”, exigiu, dando, para isso, prazo de 48 horas.

O ministro parece estar decidido a não permitir que a residência de Jair se transforme no comitê eleitoral que se viu formar na Papudinha (19º Batalhão da Polícia Militar do DF. Carlos Eduardo, ao que parece, estava talhado para o papel e “pombo correio”. Se era isto, Moraes acabou por lhe cortar as asas.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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