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Esmael Morais

Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu estado

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Moro se vinga de Toffoli e aciona CPI após caso Master

Moro tenta transformar a crise alheia em salvo-conduto político

Sergio Moro e Dias Toffoli (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado | Rosinei Coutinho/STF)

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) lança ofensiva contra o ministro do STF Dias Toffoli e tenta virar o jogo político após o caso Banco Master, usando as redes para pedir a convocação do magistrado na CPI do Crime Organizado e transformar a crise do Supremo Tribunal Federal em munição contra quem hoje relata, na Corte, a apuração sobre a antiga 13ª Vara Federal de Curitiba.

Moro leva a sério o ditado de que “um dia é da caça, outro do caçador”. O ex-juiz da Lava Jato, alvo de investigação no STF a partir de acusações do “agente infiltrado” Tony Garcia, agora posa de acusador contra Toffoli, que deixou a relatoria do caso Master nesta quinta-feira (12).

Moro se vinga de Toffoli e puxa o caso para a CPI

A ofensiva veio em postagem nas redes sociais, depois que o inquérito do Banco Master foi redistribuído ao ministro André Mendonça. Moro comemorou a troca e mirou diretamente Toffoli.

“A redistribuição do caso do Banco Master ao Min. André Mendonça é um alento ao Brasil, já que o Min. Toffoli estava, pela lei, impedido ou suspeito… Na CPI do Crime Organizado, decidiremos sobre medidas investigatórias requeridas para esclarecer a relação do ministro com o banco”, escreveu o senador.

O movimento tenta enquadrar o episódio como vitória moral contra o Supremo, mas também como proteção política pessoal: Moro sabe que o desgaste de Toffoli pode rebaixar o peso do relator que conduz o inquérito ligado a Curitiba.

O pano de fundo é Curitiba

A contradição é cristalina. Toffoli, alvo de críticas do bolsonarismo e do lavajatismo, é o ministro que autorizou, em 3 de dezembro de 2025, buscas da Polícia Federal (PF) na 13ª Vara Federal de Curitiba, no inquérito que apura denúncias de Tony Garcia contra Moro.

A diligência foi tratada, na época, como fundamental por reabrir o debate sobre métodos, abusos e bastidores que marcaram a Lava Jato no Paraná. Moro nega irregularidades e sua defesa alega que as acusações não se sustentam.

Agora, ao atacar Toffoli, o senador tenta inverter o foco: sair da posição de investigado e ocupar o lugar de “fiscal” do STF.

Caso Master troca relator para estancar crise

A mudança no caso Banco Master ocorreu ontem à noite, quando Toffoli deixou a relatoria e o STF informou que os autos seriam redistribuídos. André Mendonça assumiu a relatoria por sorteio.

O caso ganhou repercussão depois de a PF levar ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório com menções a Toffoli em dados extraídos do celular do controlador Daniel Vorcaro, segundo apuração do Blog do Esmael.

É nesse caldo que Moro tenta surfar, com a CPI como palco e as redes como megafone.

O caçador quer aplauso, o Brasil quer fato

Moro joga para a plateia quando pede CPI para “esclarecer” o que já está na arena institucional do STF. O problema é o uso político da crise para fabricar heroísmo tardio, enquanto o próprio senador segue sob investigação que mira justamente o período em que ele comandou Curitiba.

A democracia precisa de apuração, não de revanche. E quem transformou a Justiça em espetáculo não pode reclamar quando a luz volta para o palco.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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