Não é mais sobre o Lula

Não, não é mais sobre o Lula. É sobre o velho, o secular, é sobre decidir na força, é sobre continuar sendo o dono da bola, é sobre poder. É sobre o medo do empoderamento alheio

São Paulo 04/04/2016- Ex-Presidente Lula, durante entrevista a imprensa na sede do PT Nacional. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
São Paulo 04/04/2016- Ex-Presidente Lula, durante entrevista a imprensa na sede do PT Nacional. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas (Foto: Bia Willcox)

Nem todo mundo percebe. Nem todos entenderão. A grande maioria me execrará.

Mas no fundo, bem lá no fundo de cada um, há um grilo falante, que lembrando mais um vagalume de brilho intermitente, de quando em vez acende a luz de uma certa consciência sobre o que acontece agora. Mas aí, vem o coletivo midiático de pensamento parecido e exclamações que ecoam num só tom e trata de desligar a lanterna da inexorável verdade interior (você pode negá-la eternamente mas ela existe e você bem sabe).

Não, não é mais sobre o Lula. É sobre o velho, o secular, é sobre decidir na força, é sobre continuar sendo o dono da bola, é sobre poder. É sobre o medo do empoderamento alheio. Não, não é mais sobre apartamento triplex e nem sobre as bolsas Chanel compradas com o nosso dinheiro. Não é mais sobre propinas, desvios e contas na Suíça. Nem tampouco sobre lobby ou tráfico de influência. É sobre ódio e sobre controle. É sobre injustiça vestida de Judiciário. É sobre um preconceito inocente travestido de amor ao país. Não é sobre a opinião do nosso Chico, mas sobre a índole joga-pedra-na-Geni do ser humano. É sobre uma Presidente que sem a força que precisava, deixou espaço pra baderna generalizada. É sobre cair de boca no banquete político e se tornar imperdoável por isso pelos que se lambuzaram e se lambuzam ainda.

Sabemos, mesmo que pensemos que não, que se trata agora de lutar pela Democracia que nos foi tão cara - uma conquista tão preciosa em nossa História.

E que a nossa consciência não seja lavada a jato. É preciso estar atento e forte. Caso contrário, a hora que a consciência despertar, ela será a primeira a não nos perdoar por qualquer marcha à ré ou mesmo tropeço na nossa caminhada. Porque como disse no início, não é mais sobre Lula, triplex, palestras ou pedalinhos. Acendamos a tempo.

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