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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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O sapo e o escorpião

Boulos não consegue evitar a sua natureza

Lula e Guilherme Boulos (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Era uma vez um escorpião que precisava atravessar um rio, mas não sabia nadar. Ele encontrou um sapo e pediu:

“Sapo, por favor, me leva nas costas para o outro lado?”.

O sapo respondeu:

“De jeito nenhum! Se eu te levar, você me pica e eu morro!”.

O escorpião rebateu:

“Imagina! Se eu te picar, você afunda e eu morro afogado junto. Não faria sentido, né? Prometo não te picar".

O sapo concordou. Levou o escorpião nas costas e começou a atravessar o rio.
No meio da travessia, o escorpião deu-lhe uma picada mortal. O sapo, já quase sem forças, perguntou ao escorpião:

“Por que você fez isso? Você disse que não ia me picar! Agora nós dois vamos morrer!”.

O escorpião respondeu calmamente, antes de afundarem:

“Eu não pude evitar... é a minha natureza".

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, deu uma de escorpião ao atacar, ontem, o Banco Central: “O Banco Central alimenta a agiotagem ao manter os juros em 15%. O trabalhador perde poder de compra, enquanto o banqueiro ri à toa. Isso com a inflação acumulada mais baixa num governo desde o Plano Real. O nosso governo, liderado por Lula, está fazendo a sua parte. Agora falta o BC fazer a dele. A decisão do Copom é injustificável e indefensável!”.

Quando assumiu o ministério, Boulos prometeu “colocar o governo na rua”. Mas, na primeira ocasião em que se apresentou, colocou o governo contra a rua, pois quem fixou a meta da inflação foi o Conselho Monetário Nacional, no qual o governo, com os ministros Haddad e Simone Tebet, tem a maioria dos votos, e tanto o presidente quanto a maioria dos membros do BC, cuja missão é manter a inflação dentro da meta, foram escolhidos por Lula.

Nascido de uma costela do PT, o PSOL pode até fingir, quando lhe interessa, que apoia o governo, mas, na hora H, não consegue evitar a sua natureza, que sempre foi, desde a fundação, picar o PT.

Além de mostrar que não entende nada de economia, o ministro do PSOL não respeita seus colegas de ministério. Quem tem autoridade para falar sobre economia é o ministro Haddad, que nunca meteu a colher na seara de Boulos. Não ele.

A fábula fica ainda mais parecida com a vida real quando lembramos que Leonel Brizola, nos momentos de fúria, chamava Lula de “sapo barbudo”.

Ainda bem que a picada, desta vez, não foi mortal.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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