O sapo e o escorpião
Boulos não consegue evitar a sua natureza
Era uma vez um escorpião que precisava atravessar um rio, mas não sabia nadar. Ele encontrou um sapo e pediu:
“Sapo, por favor, me leva nas costas para o outro lado?”.
O sapo respondeu:
“De jeito nenhum! Se eu te levar, você me pica e eu morro!”.
O escorpião rebateu:
“Imagina! Se eu te picar, você afunda e eu morro afogado junto. Não faria sentido, né? Prometo não te picar".
O sapo concordou. Levou o escorpião nas costas e começou a atravessar o rio.
No meio da travessia, o escorpião deu-lhe uma picada mortal. O sapo, já quase sem forças, perguntou ao escorpião:
“Por que você fez isso? Você disse que não ia me picar! Agora nós dois vamos morrer!”.
O escorpião respondeu calmamente, antes de afundarem:
“Eu não pude evitar... é a minha natureza".
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, deu uma de escorpião ao atacar, ontem, o Banco Central: “O Banco Central alimenta a agiotagem ao manter os juros em 15%. O trabalhador perde poder de compra, enquanto o banqueiro ri à toa. Isso com a inflação acumulada mais baixa num governo desde o Plano Real. O nosso governo, liderado por Lula, está fazendo a sua parte. Agora falta o BC fazer a dele. A decisão do Copom é injustificável e indefensável!”.
Quando assumiu o ministério, Boulos prometeu “colocar o governo na rua”. Mas, na primeira ocasião em que se apresentou, colocou o governo contra a rua, pois quem fixou a meta da inflação foi o Conselho Monetário Nacional, no qual o governo, com os ministros Haddad e Simone Tebet, tem a maioria dos votos, e tanto o presidente quanto a maioria dos membros do BC, cuja missão é manter a inflação dentro da meta, foram escolhidos por Lula.
Nascido de uma costela do PT, o PSOL pode até fingir, quando lhe interessa, que apoia o governo, mas, na hora H, não consegue evitar a sua natureza, que sempre foi, desde a fundação, picar o PT.
Além de mostrar que não entende nada de economia, o ministro do PSOL não respeita seus colegas de ministério. Quem tem autoridade para falar sobre economia é o ministro Haddad, que nunca meteu a colher na seara de Boulos. Não ele.
A fábula fica ainda mais parecida com a vida real quando lembramos que Leonel Brizola, nos momentos de fúria, chamava Lula de “sapo barbudo”.
Ainda bem que a picada, desta vez, não foi mortal.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



