Boulos critica juros a 15% e acusa Banco Central de favorecer “agiotagem”
Ministro afirma que juros elevados corroem o poder de compra do trabalhador, mesmo com a inflação no menor patamar desde o Plano Real
247 - O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou duramente a decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano e afirmou que a política monetária atual beneficia o sistema financeiro em detrimento da população. Em publicação na rede social X, Boulos declarou que “o Banco Central alimenta a agiotagem ao manter os juros em 15%. O trabalhador perde poder de compra, enquanto o banqueiro ri à toa”. A manifestação ocorre no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que deve iniciar o ciclo de queda da Selic apenas a partir de março, mas sem indicar a intensidade do primeiro corte.
Críticas em meio a cenário de inflação controlada
A crítica de Boulos ganha força no contexto de desaceleração inflacionária. Dados recentes mostram que o Brasil registra a inflação acumulada mais baixa em um governo desde o Plano Real, resultado que integrantes do Palácio do Planalto atribuem à política econômica conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo aliados do governo, o controle da inflação e a responsabilidade fiscal criam espaço para uma redução mais rápida dos juros, sem riscos à estabilidade econômica.
“O nosso governo, liderado por Lula, está fazendo a sua parte”, afirmou o ministro, ao defender que a política monetária acompanhe o novo cenário macroeconômico. Para Boulos, a manutenção da Selic em patamar elevado penaliza o consumo, desestimula investimentos produtivos e limita a geração de empregos.
Copom sinaliza distensão, mas evita compromisso
O texto do Copom afirma que o comitê atuará com “serenidade” e indica que a próxima reunião, marcada para março, poderá marcar o início do ciclo de cortes de juros.
No entanto, o Banco Central evitou indicar a dimensão da redução. As apostas do mercado se dividem entre um corte inicial de 0,25 ponto percentual, visto como mais conservador, e um movimento de 0,5 ponto, que teria maior impacto simbólico e prático na sinalização de mudança de rumo da política monetária.


