O esplendor do fascismo em êxtase
“A direita perdedora sai da lata e comemora uma ‘vitória’ contra Lula no Carnaval”, escreve Moisés Mendes
A extrema direita desfila nas redes em euforia, na batida da bateria liberal dos jornalões, por ter conseguido derrotar Lula no Carnaval. Perderam na eleição e perderam na tentativa de golpe, mas a escola Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula, foi rebaixada.
E aí está a única vitória da velha direita golpista e do fascismo desde 2022. O bolsonarismo vai à forra, porque o rebaixamento da escola é o seu gozo. O bolsonarismo entrou na Quarta-feira de Cinzas de porre.
Bolsonaro e os generais estão presos, parceiros estão foragidos, há racha na família, mas hoje eles estão felizes. Põem as cabeças para fora das latas e comemoram a ‘derrota’ dos que tiveram a petulância de contar a história de Lula e cutucar o ultraconservadorismo, o golpismo e a vigarice.
Até parte das esquerdas desfruta desse gozo, na base do “eu avisei”. Nunca antes o PT e as esquerdas tiveram tantas cassandras. Não vai, que é fria, sai dessa armadilha e te cuida com o TSE de Nunes Marques e André Mendonça.
Lula e o Brasil não mereceriam a homenagem que expôs uma realidade implacável: o Carnaval é mais valente do que boa parte das esquerdas. E Lula continua sendo mais bravo do que a maioria que o bajula e circula no seu entorno.
Lula e Janja foram à Sapucaí porque era preciso ir. O Carnaval, disse o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, Leandro Vieira, é transgressor. Mesmo que muitos se esforcem para que seja apenas fofo e uma quermesse para a venda de cerveja.
Lula foi na intuição, apesar das advertências dos sabichões. Porque, se não fosse, ficaria como covarde. Com a escola caindo, como caiu, seria chamado não só de pé-frio, mas também de amarelão.
Lula vive sua última eleição, 24 anos depois de ter sido eleito pela primeira vez. E pode estar encerrando a mais longa era de prevalência dos grandes intuitivos da política, que não existem mais.
Até 2002, pouco antes de se eleger, Lula agia sob o comando dos seus sentimentos. Tudo o que dizia e fazia era determinado pelo chip que trazia do sindicalismo e do embate com a ditadura nos anos 70.
E disseram então que ele perderia de novo, pela quarta vez, se não assumisse o personagem do Lulinha paz e amor. Produziu-se, então, a carta ao povo brasileiro, no tom que a direita queria ler e ouvir.
Lula pôs gravata e chamou o empresário José Alencar para ser seu vice. Governou fazendo concessões, mas sem se afastar do que era. Aquele Lula das primeiras coalizões teve que aperfeiçoar suas virtudes conciliadoras para se eleger de novo e poder governar a partir de 2023.
Mas agiu, desde 2002, com certa obediência aos que diziam muito do que deveria comunicar. Tanto que, no terceiro mandato, pela primeira vez desde a redemocratização, foi ele quem chamou um marqueteiro para orientar sua comunicação.
Não se sabe o que o marqueteiro pode ter dito sobre ir ou não à Sapucaí e dar corda ao enredo que, além de reverenciá-lo, também atacou o bolsonarismo enlatado.
Mas Lula foi porque, se não fosse, não seria Lula. O que vem agora, com a extrema direita comemorando a queda da Acadêmicos de Niterói, contagia um pouco os que gritaram “eu avisei”.
As famílias reaças nas latas de conserva, o chefe da organização criminosa nas grades, o golpista Michel Temer roubando a faixa de Dilma, tudo passa a ser visto como gol contra. Mas o Carnaval é atrevido e está acima dos cuidados e das covardias da política.
Lula foi bravo, fez o certo e foi à Sapucaí. O que teremos a partir de novembro será mais uma história para contar: 2026 ficará como o ano do Carnaval da lata, aquele em que Lula foi ver sua vida recontada pela inteligência negra, como diz Milton Cunha, e venceu a direita pela quarta vez.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



