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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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O Holocausto de Bolsonaro

Um recado para a douta defesa

O ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília-DF - 14/09/2025 (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)
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A defesa de Jair Bolsonaro pediu revisão da sua sentença. Alega não haver provas de que tramou um golpe de Estado. Muito menos mandou invadir e quebrar os prédios dos Três Poderes. Guardadas as devidas proporções e sem querer misturar alhos com bugalhos, devo lembrar à douta defesa que Adolf Hitler não criou os campos de concentração, nem as câmaras de gás, nem mandou seus subordinados jogarem os judeus nos campos, nem os enviarem às câmaras de gás. Não há um documento assinado por ele com essas ordens. Quem criou os campos de concentração foi Heinrich Himmler. Quem encaminhava as grávidas para as câmaras de gás era Joseph Mengele. Eles não consultaram Hitler para saber se deviam fazer isso. Não precisavam. As ordens de exterminar os judeus emanaram do "Mein Kampf". Nesse livro, que inspirou o Holocausto, Hitler afirmou que os judeus eram culpados pela situação de penúria da Alemanha e corrompiam a raça puramente germânica ao se casarem com alemães ou alemãs. Sem eles, o país iria de vento em popa, e o povo seria mais forte. Mas a história o considerou o principal culpado pelos seis milhões de judeus assassinados.


Bolsonaro atravessou os quatro anos de seu mandato presidencial culpando "o outro lado" pela situação do país e demonizando o STF, que permitia que "o outro lado" ganhasse dele com “urnas corrompidas”. Sem "o outro lado" e sem o STF, o país teria dias gloriosos. Ele jamais disse, explicitamente, aos seus subordinados: "Vamos dar um golpe de Estado". Jamais disse à população: "Quebrem o prédio do STF". Mas os seus fiéis seguidores entenderam seus recados. Precisavam destruir "o outro lado" e o STF. E fizeram do seu jeito. Mas ele é o principal culpado. Ele teve cúmplices, tal como Hitler, que teve Himmler, Mengele, Goering, Goebbels e outros. Os cúmplices nazistas e os bolsonaristas agiram em nome dos dois líderes, sob seu comando. Se tivessem tido sucesso, o sucesso seria atribuído aos seus chefes, tal como o fracasso. Hitler saiu da vida para entrar na história como o maior vilão do século XX. Bolsonaro, quando sair da prisão, vai entrar na história como o maior vilão brasileiro do século XXI.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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