“O clã Bolsonaro, pouco a pouco, está indo para a cadeia”, diz Fernando Horta
Historiador afirma que avanço das investigações contra Eduardo Bolsonaro aprofunda crise do bolsonarismo e expõe desgaste da extrema direita
247 - O historiador Fernando Horta afirmou, em entrevista à TV 247, que o avanço das investigações envolvendo Eduardo Bolsonaro, em autoexílio nos Estados Unidos, representa mais um capítulo do cerco judicial contra a família Bolsonaro. Para Horta, o cenário revela um processo contínuo de desgaste político e jurídico do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A gente tem que realmente lembrar a população que às vezes se esquece de que o clã Bolsonaro, pouco a pouco, está indo para a cadeia”, declarou Horta, se referindo ao parecer da Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal envolvendo Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo contra ministros da Corte em meio ao julgamento do 8 de janeiro que condenou os artífices da tentativa de golpe, incluindo Jair Bolsonaro.
Segundo Fernando Horta, a situação de Eduardo Bolsonaro é grave e poderia até mesmo ter sido enquadrada em crimes mais severos.
“O Eduardo Bolsonaro cometeu crime de terrorismo contra o Brasil”, argumenta Horta, afirmando que ele tentou constranger instituições brasileiras ao associar pressões internacionais e disputas políticas internas ao andamento dos processos judiciais envolvendo seu pai.
“Ele ameaça as autoridades brasileiras, ameaça o poder soberano brasileiro e tenta constranger instituições públicas”, acrescenta Horta, ressaltando o contexto internacional envolvendo Donald Trump, citado por Eduardo Bolsonaro em meio às discussões sobre tarifas e relações diplomáticas.
Horta vê radicalização e crise interna no bolsonarismo
O historiador avaliou que a extrema direita brasileira atravessa um período de forte tensão interna, marcado por disputas entre antigos aliados e pela tentativa de diferentes grupos de assumir o controle do eleitorado bolsonarista.
Segundo ele, partidos e lideranças conservadoras querem preservar a base social criada pelo bolsonarismo, mas sem aceitar mais o domínio político exercido pela família Bolsonaro.
“Não é de hoje que a direita brasileira quer um bolsonarismo sem Bolsonaro”, afirmou.
Horta citou os conflitos entre Eduardo Bolsonaro e o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles como exemplo dessa fragmentação. Para ele, o bolsonarismo vive um processo de desgaste interno impulsionado tanto pelas investigações judiciais quanto pela disputa de poder dentro da direita.
“A grande briga da família Bolsonaro é exatamente isso: reconhecer que os votos ainda são de Jair Bolsonaro”, analisou.
Ataques às instituições preocupam
Fernando Horta também demonstrou preocupação com o aumento dos ataques às instituições brasileiras por parte de setores da extrema direita. Segundo ele, investigados passaram a abandonar estratégias tradicionais de defesa para adotar discursos de confronto direto contra o sistema político e judicial.
“Eles perderam o respeito pelas instituições brasileiras”, afirmou.
Ele comentou ainda a reação do senador Ciro Nogueira às investigações relacionadas ao caso Banco Master. Para Horta, o parlamentar utiliza uma estratégia semelhante à adotada pelo bolsonarismo ao transformar investigações em discurso político de enfrentamento.
“O recado é o seguinte: ‘olha só, eu sei o que vocês fizeram no verão passado também’”, disse.
Segundo ele, o ambiente político brasileiro permanece tensionado e exige atenção diante da proximidade das eleições de 2026.
“Há uma possibilidade real e efetiva dessa gente toda tentar virar a mesa”, alertou.
Economia e pesquisas ajudam Lula, avalia Horta
Fernando Horta comentou os indicadores econômicos recentes e afirmou que a melhora parcial do ambiente econômico ajuda a explicar a recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de opinião.
Ao comentar a desaceleração da inflação acumulada em 12 meses para 4,39%, Horta afirmou que o governo mantém controle sobre a economia mesmo diante das dificuldades internacionais.
“Mesmo com tudo isso, o governo do presidente Lula continua mantendo a inflação a um valor dentro da meta”, declarou.
Segundo o historiador, os dados econômicos ajudam a sustentar a recuperação política do governo.
“São dados que nos permitem entender por que o presidente recupera parte do seu prestígio”, concluiu.



