“Lula precisa fazer comunicação todos os dias”, diz Fernando Horta
Historiador avalia que comunicação política contínua é essencial para Lula enfrentar desafios digitais, avanço da extrema direita e cenário eleitoral de 26
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa adotar uma estratégia permanente de comunicação política para enfrentar os desafios eleitorais e institucionais do atual cenário brasileiro, segundo análise do historiador Fernando Horta. Para ele, a disputa política já não se limita ao período eleitoral e exige atuação contínua ao longo de todo o mandato.
A avaliação foi feita em participação no programa Brasil Agora, na qual Horta destacou que o ambiente político contemporâneo, marcado por redes sociais e algoritmos digitais, exige mudanças profundas na forma como os governos se comunicam com a população.
Durante a conversa, o historiador afirmou que a política entrou em uma nova era, em que a comunicação não pode mais ser episódica. “Se faz política, se faz comunicação política o tempo inteiro, desde o primeiro momento do início do mandato até o final dele”, disse.
Algoritmos e distorção da percepção pública
Horta apontou que um dos principais desafios do governo Lula é a influência dos algoritmos digitais na percepção da realidade. Segundo ele, a população hoje acessa informações majoritariamente por meios digitais, o que altera a forma como políticas públicas são percebidas.
“O algoritmo hoje diz o que você enxerga, como você enxerga, se aquilo é bom, se não é bom”, afirmou. Ele avalia que esse fenômeno contribui para o descompasso entre resultados positivos do governo e a percepção popular.
Três desafios centrais para Lula
Na entrevista, Horta listou três fatores que, em sua visão, tornam o cenário eleitoral mais complexo para Lula: O impacto dos algoritmos na política, que distorcem a percepção da realidade; A vulnerabilidade internacional do Brasil, especialmente em tecnologia e dados; A permanência do bolsonarismo, que ele classifica como uma estrutura política ativa. Sobre esse último ponto, ele afirmou: “Não se vence o fascismo só a partir de decisão judicial. Você precisa de um enorme esforço na área da cultura, da educação e da comunicação”.
Crítica à ausência de estratégia estruturada
Horta também criticou a falta de um plano nacional de comunicação no governo. Para ele, a ausência de uma política estruturada favorece a extrema direita no ambiente digital.
“O governo tinha que ter colocado entre as suas prioridades um plano nacional de comunicação”, afirmou, defendendo maior investimento e distribuição de recursos para fortalecer comunicadores e ampliar o alcance das mensagens governamentais.
Ele citou como exemplo a estratégia adotada por Jair Bolsonaro, que, segundo o historiador, estruturou um ecossistema digital com influenciadores desde o início do mandato.
Lula como ativo central da comunicação
Apesar das críticas, Horta ressaltou que o governo possui um diferencial importante: a capacidade comunicacional do próprio presidente.
“Nós temos o maior comunicador político do Brasil, que é Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou. Para ele, o presidente deve ser mais utilizado como protagonista na comunicação pública, inclusive em agendas temáticas e entrevistas segmentadas.
Eleição mais difícil do que o previsto
O historiador também avaliou que o cenário eleitoral de 2026 tende a ser mais desafiador do que inicialmente esperado, em razão da combinação de fatores políticos, tecnológicos e sociais.
Ainda assim, ele acredita que há tempo para ajustes na estratégia. “Eu ainda acho que dá tempo. Agora, o que nós fizermos agora vai custar mais caro”, disse, ao defender uma reorganização urgente da comunicação governamental.
Análises recentes indicam que, embora Lula siga competitivo, o ambiente político permanece complexo e altamente disputado, com narrativas sendo constantemente moldadas por pesquisas e disputas digitais .
A entrevista reforça a avaliação de que, no atual cenário, comunicação e política se tornaram inseparáveis — e que o sucesso eleitoral dependerá, cada vez mais, da capacidade de dialogar com a sociedade em tempo real.


