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Valdemar vai processar Salles após acusação de corrupção no PL

Embate entre Valdemar e Salles ocorre em meio à disputa da direita por vaga ao Senado em São Paulo

Valdemar Costa Neto (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
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247 - O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (11) que pretende processar o deputado Ricardo Salles (Novo-SP), após ser acusado de corrupção pelo parlamentar. As informações são da CNN, em entrevista na qual o dirigente reagiu às declarações dadas por Salles em um podcast.

“Vou processá-lo. Vamos ver se vai ser homem e confirmar o que falou”, disse Valdemar. A fala ocorre em meio ao acirramento das divergências dentro da direita paulista, especialmente em torno da disputa por uma vaga ao Senado por São Paulo nas eleições de outubro.

O episódio teve início após Salles afirmar, em entrevista ao podcast IronTalks no sábado (9), que integrantes ligados a Valdemar teriam participado de supostos desvios no Ministério dos Transportes e no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O deputado também relacionou as acusações ao período em que Tarcísio de Freitas, hoje governador de São Paulo, comandava a área de Infraestrutura no governo Bolsonaro.

Segundo Salles, Tarcísio teria promovido uma reorganização na pasta ao assumir o ministério. O parlamentar também sugeriu que o atual governador paulista teria evitado se filiar ao PL em 2022 por conhecer supostas práticas internas do partido.

"O Tarcísio foi lá e fez uma limpa. Quando ele veio para ser candidato em 2022 aqui em São Paulo, ele fala: 'No PL eu não vou me filiar, porque eu conheço essa turma, eu sei o que eles faziam no ministério'", afirmou Salles.

Apesar da gravidade das acusações, Salles não apresentou provas ou documentos que sustentassem as declarações. Até o momento, não há investigação anunciada sobre os episódios mencionados pelo deputado.

Crise expõe disputa no campo da direita

A reação de Valdemar amplia a crise entre integrantes da direita em São Paulo. Questionado sobre eventual impacto do episódio nas eleições, o presidente nacional do PL minimizou o efeito político da disputa interna.

“Nenhum [impacto], quem tem voto é Bolsonaro”, declarou Valdemar.

A tensão ocorre em um momento de rearranjo das candidaturas ao Senado no estado. O centro da divergência é a escolha do ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), para disputar a vaga deixada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que vive atualmente nos Estados Unidos.

Prado deve concorrer ao lado do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP). A decisão tomada por Valdemar contrariou até mesmo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que defendia o nome do vice-prefeito Mello Araujo. Salles havia prometido abrir mão da disputa em favor de Mello Araujo.

Pesquisas preocupam aliados em São Paulo

Além do impasse interno, pesquisas eleitorais para o Senado em São Paulo aumentam a preocupação entre dirigentes e aliados da direita. Levantamentos citados no contexto da disputa indicam favoritismo de nomes ligados ao presidente Lula.

Entre os nomes mencionados aparecem Simone Tebet (PSB), em primeiro lugar, seguida por outros ex-ministros do governo Lula, como Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede). Na sequência, aparecem Guilherme Derrite e Ricardo Salles.

A disputa, portanto, combina acusações públicas, ameaça de processo judicial e divergências estratégicas sobre a formação da chapa da direita paulista. O embate entre Valdemar e Salles passou a simbolizar a dificuldade do campo bolsonarista em unificar nomes para a eleição ao Senado em São Paulo.

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