O macarthismo enlameia reputações de empresários
A banalização de acusações sem provas ameaça a segurança jurídica, destrói empregos e compromete o desenvolvimento econômico do país
Há uma espécie de macarthismo inconsciente que turva as mais respeitáveis instituições do país. Estamos falando do STF, do Congresso Nacional, do Ministério Público, do Banco Central, da Receita Federal e até de segmentos da mídia. Essas instituições, pilares da democracia, têm naturalizado acusações não comprovadas, danos morais e destruição de patrimônio.
Há algo de muito perigoso no ar, se cristalizando, que afeta a própria liberdade de defesa. Os empresários têm sido, não raras vezes, vítimas desse zeitgeist do macarthismo. Trata-se de algo extremamente devastador, porque na outra ponta atinge empregos, direitos sociais, arrecadação tributária, previsibilidade econômica, novos investimentos, para citar só algumas das perdas mais valiosas que esse frenesi condenatório vem causando.
As dúvidas em relação à culpabilidade viram manchetes explosivas, mesmo em estado embrionário. Tome-se o exemplo do empresário Nelson Tanure, certamente um dos maiores empreendedores do Rio. É muito fácil enlamear reputações de quem toma risco e tem uma dezena de negócios formais em um país reconhecido pela ausência de previsibilidade. Poderia citar outros nomes de empresários que são vítimas do macarthismo. Não preciso nomear companhias porque elas estão todos os dias nos jornais.
A demonização desses agentes do desenvolvimento, por que não dizer, destrói quadros do empresariado e incinera iniciativas importantes para o país. Como não lembrar da Lava Jato e de suas consequências nefastas sobre o Estado Democrático de Direito? Para punir os malfeitos de alguns, destroçou-se toda uma gigantesca cadeia da construção pesada, um dos setores econômicos do Brasil que ostentavam maior inserção internacional. Não existe exemplo mais didático de uma perversa roda-viva de criminalizações no país. Ao que parece, há um sentimento saudosista desse período que agora move novas campanhas persecutórias.
Talvez seja um caso de psicologia comportamental coletiva. Ou seja, um daqueles maus momentos da sociedade, em que o bem público passa a ser mais valorizado quando inclui perseguições; melhor dizendo, é como se fosse necessário difamar alguns para que a coletividade se sinta momentaneamente virtuosa. O assunto é seriíssimo e as circunstâncias devem ser tratadas como enfermidades. Todos estamos, de alguma forma, ameaçados. O matadouro do empresariado compromete o futuro do país. Ainda há tempo de voltarmos à normalidade.
O Brasil precisa de trabalho para gerar riqueza e comida na mesa do trabalhador. Avançamos muito com uma taxa de desemprego de apenas 5,2%. Podemos dar um passo de gigante se houver um freio às perseguições injustas, como a ocorrida contra Nelson Tanure na quarta-feira. Precisamos de paz, trabalho e prosperidade.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



