Polícia Federal aponta "prática de novos ilícitos" de Daniel Vorcaro, do Master
Ministro Dias Toffoli autorizou nova fase da Operação Compliance Zero após Polícia Federal imputar novos crimes a Daniel Vorcaro
247 - A Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a identificação de indícios de novos crimes supostamente cometidos por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As informações constam em despacho do ministro Dias Toffoli, relator da investigação que apura suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira e seus dirigentes. Segundo a decisão, a PF apresentou elementos que levaram o magistrado a autorizar a segunda fase da Operação Compliance Zero.
No documento, Dias Toffoli afirma que as novas evidências justificam o aprofundamento das investigações. “Diante da evidência de prática de novos ilícitos, supostamente cometidos pelo investigado, se faz necessária a colheita de elementos probatórios complementares”, registra o ministro ao autorizar as diligências realizadas nesta quarta-feira (14).
As ações da Polícia Federal incluíram buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro e a familiares do banqueiro, localizados no estado de São Paulo. Além dele, também foram alvos da operação o empresário e investidor Nelson Tanure, o empresário Fabiano Zettel — cunhado de Vorcaro — e João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos.
Fabiano Zettel chegou a ser detido ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas foi liberado em seguida. As medidas autorizadas pela Justiça incluem o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
De acordo com a Polícia Federal, as apurações envolvem suspeitas de crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. A operação ocorreu simultaneamente em endereços localizados em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Durante as diligências, os agentes apreenderam R$ 97 mil em dinheiro em espécie, além de carros de luxo, relógios e uma arma de fogo. As apreensões reforçam, segundo a PF, a necessidade de aprofundar a análise patrimonial dos investigados.
Daniel Vorcaro já havia sido preso em novembro, na primeira fase da Operação Compliance Zero, quando se preparava para embarcar em um jato particular no Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Dubai. Ele foi solto posteriormente, mas segue submetido a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Em nota, a defesa do banqueiro afirmou que ele mantém colaboração com as autoridades. “A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”, diz o comunicado.
O texto acrescenta ainda: “Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. A defesa não teve ainda acesso aos autos. O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito.”
A defesa conclui afirmando que confia no devido processo legal e que seguirá atuando para que as informações sejam tratadas “de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais”, enquanto a investigação prossegue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.


