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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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O nacionalismo é de direita ou de esquerda?

A reivindicação que Lula faz atualmente de Getúlio Vargas e a atualidade do peronismo fortalecem a imagem de esquerda do nacionalismo no século XXI

27.02.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante encontro com o atleta medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão–Cortina 2026, Lucas Pinheiro Braathen.Palácio do Planalto. (Foto: Ricardo Stuckert/PR )

Para nós, na América Latina, explorados e oprimidos pelo imperialismo norte-americano, não havia dúvida. Era uma corrente moderada de esquerda. Era o getulismo e o peronismo.

Sabíamos do fascismo, embora sem destaque para o seu nacionalismo. Na Europa, que não sofria a dominação e a exploração do imperialismo norte-americano, o nacionalismo era o de Hitler e de Mussolini, de extrema direita.

Era a concepção da superioridade da raça branca sobre as outras. A repressão aos judeus e aos comunistas.

Na Europa, que era uma referência fundamental para a esquerda latino-americana, o nacionalismo era então de direita. Para nós, de esquerda.

Essa sempre foi a diferença da Europa para a América Latina. Lá, a referência central era a União Soviética, louvada pelos partidos comunistas e execrada pelos trotskistas e outras correntes mais radicais da esquerda, mas também pela social-democracia. Aqui, mesmo criticada pelo modelo soviético, pelo stalinismo, a União Soviética era aliada na oposição ao imperialismo norte-americano.

A esquerda europeia não entendia nossa posição em relação à União Soviética. Nós não entendíamos a posição deles em relação aos Estados Unidos.

Quando terminou a União Soviética, eles se decepcionaram, porque se deram conta de que os russos não buscavam um modelo mais democrático de socialismo, mas buscavam o consumo que o Ocidente exibia como tentação.

Posteriormente, na passagem de Gorbachev para Putin, a Rússia reivindicou vários aspectos da URSS, deixando os trotskistas e os próprios partidos comunistas meio desconcertados.

Hoje o nacionalismo dos BRICS é de esquerda, incluindo a esquerda latino-americana, a asiática e a africana, todas enfrentando os Estados Unidos. Como os BRICS são a expressão neste século das forças progressistas, predomina o nacionalismo antimperialista, de esquerda.

A própria decadência da Europa e também da sua esquerda minimiza a dimensão de direita do nacionalismo, mesmo se o fascismo e o nazismo sobrevivem na própria Europa.

A importância maior da América Latina, como epicentro da luta contra o modelo contemporâneo do capitalismo — neoliberalismo — promove a imagem nacionalista como força de esquerda.

A reivindicação que Lula faz atualmente de Getúlio Vargas e a atualidade do peronismo fortalecem a imagem de esquerda do nacionalismo no século XXI.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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