Lula pode ocupar o centro político e isolar o bolsonarismo, avalia Renan Filho
Ministro afirma que novo mandato do presidente seria transição equilibrada até 2030 e defende papel relevante do MDB na construção de um projeto político
247 - O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem condições de ocupar o centro do espectro político brasileiro e, com isso, enfraquecer o bolsonarismo. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT News.
Segundo o ministro, um eventual novo mandato de Lula poderia representar uma transição política mais equilibrada para o país até 2030.
Na análise de Renan Filho, esse período marcaria um momento em que tanto o atual presidente quanto um candidato diretamente alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro não estariam na disputa eleitoral, abrindo espaço para novas lideranças.“ Lula tem capacidade de vencer ocupando o centro político e pelos resultados econômicos, por ser uma transição mais equilibrada até 2030”, afirmou o ministro durante a entrevista.
Renan Filho também comentou a possibilidade de o MDB integrar a chapa presidencial de Lula como vice em uma futura eleição. Apesar de considerar provável a manutenção da atual composição com o vice-presidente Geraldo Alckmin, filiado ao PSB, o ministro disse que o partido avaliaria um eventual convite do PT.
“Não tem que ser só MDB. Essa avaliação também tem que vir de lá pra cá. Mais ou menos, uma relação de casal, a vontade tem que ser recíproca. Mas o que acho é que o MDB é um partido que fará essa discussão porque é um partido que tem programa político, tem lideranças nacionais, tem respeito pela figura do presidente da República e pode ajudar a construir um projeto de país amplo que isole o bolsonarismo na extrema direita”, analisou.
Durante a entrevista, Renan Filho também destacou que o MDB possui nomes competitivos para futuras disputas presidenciais. Entre as lideranças citadas no debate político estão o governador do Pará, Helder Barbalho, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o próprio ministro dos Transportes.“MDB tem bons nomes. Não tem escassez de quadros”, declarou.
O ministro ainda traçou um paralelo entre um possível novo governo alinhado ao bolsonarismo no Brasil e o segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, a segunda gestão de Trump demonstra uma postura mais agressiva em relação ao primeiro mandato.“O governo Trump 2 é mais desencabulado que o primeiro. Tem mais coragem de fazer coisas do que o primeiro. O que significa um governo bolsonarista 2 desencabulado, começa por anistia, e vai até onde?”, questionou. “Vai até o controle da imprensa livre, vai até golpe, vai até a invasão do território vizinho. Vai até onde?”, acrescentou.
Renan Filho também comentou a reação do Brasil às medidas tarifárias adotadas por Trump, afirmando que a postura do governo brasileiro ampliou a visibilidade internacional do país. Para ele, a atuação do presidente Lula contribuiu para reposicionar o Brasil no debate global.“O Brasil deixou de ser um párea internacional e voltou a verbalizar a opinião de outros. Então, diferentemente do passado, na hora de enfrentar o tarifaço, talvez uma das principais vozes do mundo, foi o presidente Lula. Na extrema direita brasileira, eles são um oceano de conhecimento com um centímetro de profundidade”, afirmou.
O ministro ainda criticou Eduardo Bolsonaro, afirmando que ele acabou favorecendo politicamente o governo ao divulgar articulações que poderiam prejudicar o país.
Por fim, Renan Filho comentou o desempenho do presidente nas pesquisas eleitorais. Ele lembrou que Lula historicamente vence eleições presidenciais apenas no segundo turno e acredita que o mesmo padrão pode se repetir.“Por que as pessoas não dão vitória agora em pesquisa? Porque o cidadão deseja mais, e ele está certo. E o governo deve entregar mais, deve se esforçar para entregar mais”, disse.
Segundo o ministro, eleitores moderados e setores do empresariado tendem a avaliar com mais cautela propostas associadas à extrema direita.“As pessoas vão entender. Não estou falando do (eleitor) raiz, mas o centro. O setor produtivo, o empresário, quem não quer o bonezinho do MAGA (Make America Great Again) na cabeça, nem acredita que vai enfrentar a violência fazendo arminha”, afirmou. “Até arminha eles pararam de fazer porque ficou ridículo”, completou.
Na avaliação do ministro, a percepção pública sobre coerência política e experiência administrativa tende a influenciar as decisões eleitorais nos próximos anos.


