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Líder do PT critica "neolavajatismo" nas investigações sobre Master e INSS

Deputado Pedro Uczai ainda critica ataques ao Supremo Tribunal Federal: “não há democracia quando se tenta destruir o guardião da Constituição”

Pedro Uczai (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)

247 - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), criticou nesta segunda-feira (9) o que classificou como práticas de “neolavajatismo” em investigações relacionadas ao caso Master e a apurações envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar também reagiu a declarações do jornalista Fernando Gabeira, da GloboNews, sobre o Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Uczai, a fala de Gabeira defendendo que o STF deveria "acabar" representa um risco à ordem democrática. De acordo com o deputado, a declaração “flerta com o golpismo” e revela a persistência de métodos políticos associados ao que ele chamou de “neolavajatismo”.

O parlamentar destacou que, na história do Brasil, ministros do Supremo Tribunal Federal só foram afastados à força durante o período da ditadura militar, por meio de atos institucionais, dos quais "Gabeira também foi vítima”, lembrou.

Para o líder petista, defender a dissolução da Corte ultrapassa os limites da liberdade de expressão e contribui para normalizar discursos de ruptura institucional. “Defender a dissolução do STF ultrapassa a liberdade de expressão para normalizar um discurso de ruptura contra a ordem institucional”, disse.

Uczai também relacionou o surgimento desse tipo de discurso a um ambiente que, segundo ele, estaria marcado por vazamentos seletivos dentro do sistema de Justiça e pela divulgação de informações privadas na imprensa. De acordo com o deputado, esse cenário favorece a construção de narrativas políticas baseadas em suspeitas ainda não comprovadas.

Ele citou como exemplos a divulgação de dados protegidos por sigilo bancário ligados a Fábio Luís, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além da exposição pública de conversas privadas atribuídas a Daniel Vorcaro, investigado no caso Master, e à ex-noiva dele, Martha Graeff. “Dados protegidos por sigilo, como informações bancárias do filho do presidente Lula, conversas privadas de natureza íntima atribuídas a um dos investigados do caso Master e sua noiva foram lançados ao debate público de forma irresponsável e criminosa”, afirmou.

O deputado também criticou o que chamou de “espetacularização” de prisões e a divulgação de imagens de cadastro de Vorcaro no sistema prisional. Para ele, essas práticas remetem a métodos utilizados nos momentos mais controversos da Operação Lava Jato.

Na avaliação de Uczai, esse conjunto de fatores cria um ambiente propício à construção de acusações baseadas em vazamentos fragmentados e à destruição de reputações. “Esse roteiro é conhecido por vazamentos fragmentados, construção de suspeitas sem prova e o uso dessas narrativas para assassinar reputações e propor a abolição de instituições democráticas”, declarou.

O líder do PT concluiu afirmando que discursos que questionam a existência do Supremo Tribunal Federal representam uma ameaça direta ao sistema democrático. “Não há democracia possível quando se tenta destruir o guardião da Constituição”, disse.

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