Moisés Mendes avatar

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

1103 artigos

HOME > blog

O novo cerco a Lula tem um caso à la Agatha Christie

“É mirabolante a primeira tentativa lavajatista de voltar a envolver Lula, desta vez nos rolos do Master”, escreve Moisés Mendes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - 26/09/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O lavajatismo aplicado ao caso Master não terá valor se não envolver Lula. Todos os esforços se aproximam do entorno de Lula, para que qualquer coisa que se mexa seja considerada pista ou rastro. Como fizeram em Curitiba e depois foram trabalhar para Bolsonaro.

Demorou um pouco, mas Lula aparece agora como o cara da cabeceira da mesa numa reunião com Daniel Vorcaro em 2024 no Palácio do Planalto. Participaram da reunião o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o então ex-CEO do Master Augusto Lima.

Também estavam presentes os ministros Rui Costa, da Casa Civil, Alexandre Silveira, das Minas e Energia, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O que o UOL e o Metrópoles concluíram ao ‘denunciar’ a reunião: que Lula havia se metido no caso Master.

Toda a Faria Lima convivia com Vorcaro, com o Master e com seu entorno. O Master, Vorcaro e sua turma conviviam com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, que deveria fiscalizar suas atividades. 

O sistema financeiro aceitava e tratava Daniel Vorcaro como um dos seus. E o UOL e o Metrópoles noticiam que Lula se reuniu com Vorcaro, como se tivessem descoberto um encontro do presidente com Mauricio Queiroz. 

Uma reunião acontecida em dezembro de 2024. Com quase uma dúzia de pessoas na sala tramando alguma coisa pelo Master. Uma dúzia de altas autoridades da República, com o seu líder maior, se reúne em Brasília para tomar uma decisão nas sombras?

É o que o UOL e o Metrópoles insinuam, porque a reunião não estaria na agenda de Lula. E o encontro vira manchete, para que Lula seja colocado no cenário do caso Master.

Mesmo que, quase um ano depois daquela reunião, em 15 de novembro último, o Banco Central tenha decretado a liquidação do Master. Lula ouve as queixas do dono do banco, se protege se cercando de auxiliares do primeiro time e do presidente do BC e determina: que se cumpra o que deve ser feito.

E o que se cumpriu, por decisão do BC, foi a liquidação. Lula seria tão incompetente como presidente-lobista, como insinuam o UOL e o Metrópoles, que o banco que deveria ter contado com a sua proteção acabou sendo pulverizado?

E assim se esvaiu a primeira tentativa de aplicação de novo das táticas do lavajatismo contra Lula, agora no caso Master. Enquanto o presidente declara e repete que todos os rolos devem ser investigados.

Para quem gosta de resumos que substituem desenhos, esse é o resumo: a imprensa lavajatista acusa Lula de ter defendido um banco que ele, como está provado, não defendeu, ou o presidente da República chamou um time de assessores que poderia vê-lo mais adiante como lobista fracassado. 

É isso? Lula reuniu quase uma dúzia de testemunhas para depois pagar o mico de ver o Master liquidado? Lula, com mais de meia década de política nas costas, cometeria a bobagem de encher uma sala de testemunhas de uma barbeiragem ou de um deslize?

Como diria o estagiário da Abin, formado pela Academia de Detetives Agatha Christie de Luziânia, é muita testemunha na cena. Nem o mais amador dos políticos cometeria o erro de ter tantas pessoas numa sala para tomar decisões escusas.

O estagiário sabe que Lula se cercou de tanta gente para que todos soubessem do que se tratava: da reunião com um banqueiro ressentido, que vinha apresentar suas queixas. Como acontece em todos os governos, aqui e na Islândia.

E agora? Agora, o cerco afrouxa um pouco, mas logo se recompõe e volta a atacar. É o filho de Lula, a mulher de Alexandre de Moraes, o cunhado de alguém que tenha conversado com o primo de um tio de Guido Mantega. 

O lavajatismo está vivo e tem franquias na grande e na pequena imprensa de direita que se acha grande.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Artigos Relacionados