Gleisi: Quem precisa explicar relações com o Master é a oposição
Ministra também voltou a atacar a política de juros altos do Banco Central
Por Tereza Cruvinel (247) - A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman, afirmou hoje em entrevista coletiva que há um esforço em curso para envolver o governo com o escândalo do banco Master, mas que são os governadores e outras figuras da oposição que precisam explicar suas relações com o banco de Daniel Vorcaro.
Ela considerou absolutamente regular o contrato de consultoria do ex-ministro Ricardo Lewandowski com o banco e citou como devedores de explicaçõe o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que autorizou a compra de parte do Master pelo Banco de Brasília (BRB), que amarga agora um grande prejuízo, e o do Rio, Claudio Castro, que alocou quase R$ 1 bilhão do fundo de aposentadoria complementar dos funcionários do Estado no banco agora liquidado.
- Fico me perguntando por que as pessoas divulgam com tanta insistência que o ministro teve contrato com o Master. Qual é o crime de você ter um contrato como esse? O que isso influenciou nas apurações que o governo fez e está fazendo? O presidente do Master foi preso na gestão do Lewandowski, que era o ministro da Justiça e estava no comando da Polícia Federal — disse Gleisi acrescentando:
E mais:
— A oposição também tem que explicar porque que o cunhado do dono do banco (o pastor Fabiano Zettel) foi o maior doador individual da campanha do Bolsonaro e do Tarcísio de Freitas em 2022. A oposição tem muito mais o que explicar. Quem tinha relações com o Banco Master eram eles. Isso está claro.
Em relação ao ex-ministro Lewandowski, ela disse que o governo está tranquilo e seguro de que não houve nada de irregular. Quando foi convidado para ser ministro da Justiça, ele teria avisado o presidente Lula dos contratos que tinha e dos quais precisaria se desvencilhar para assumir o cargo. Perguntada depois se ele informou Lula especificamente do contrato com o Master, ela evitou ser taxativa, dizendo saber apenas que o ex-ministro informou o presidente de que tinha contratos com o setor privado.
Ela justificou também o fato de Lula ter recebido Vorcaro, afirmando que um presidente deve mesmo ouvir todos os setores da sociedade, e que Lula já recebeu outros empresários e banqueiros. Com Vorcaro, destacou, ele teve conduta absolutamente republicana, dizendo que o assunto era da alçada do Banco Central.
- Quem liquidou o Master foi o Banco Central e quem prendeu o Vorcaro foi a Policia Federal do governo Lula – disse ainda Gleisi.
A volta do Congresso - Apesar dos conflitos que teve com o Congresso no ano passado, Gleisi fez um balanço positivo, afirmando que as matérias mais cruciais para o governo foram aprovadas, destacando a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação inédita dos dividendos que engordam a renda dos mais ricos.
Na reabertura dos trabalhos, no dia 2, Lula enviará sua mensagem anual ao Congresso. Nela destacará os resultados positivos da economia, como o crescimento do PIB, o controle da inflação, a queda sem precedentes do desemprego, o aumento dos investimentos estrangeiros, a redução da pobreza e outros mais. Para este primeiro semestre (pois o segundo será consumido pela campanha eleitoral), Gleisi apontou como prioridades a PEC da Segurança e o PL anti-facção, dizendo esperar que o Congresso mantenha o veto de Lula ao projeto da dosimetria, que reduz as penas dos condenados pela tentativa de golpe, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Não há também mais razão para que os trabalhadores sejam subordinados à escala de trabalho 6 x 1. É tempo de melhorar as condições de vida dos que trabalham – disse Gleisi. O governo, segundo ela, poderá apoiar uma das propostas de modificação que tramitam no Congresso ou apresentar uma proposta própria.
Por fim Gleisi voltou a atacar a política de juros altos do Banco Central, que hoje mesmo deve anunciar a manutenção da taxa Selic em 15%.
- Eu só posso manifestar minha indignação, se a taxa for mantida. Estes 15% são absurdos e só produzem aumento da dívida pública. Com o dólar despencando e a inflação controlada, a quem interessa manter os juros tão altos?
Gleisi deixará o cargo em abril para ser candidata ao Senado pelo Paraná e será substituída por Hugo Noleto, atual secretário-executivo do Conselhão, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, que reúne empresários, sindicalistas, movimentos sociais e outros representantes da sociedade civil.


