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Gleisi defende candidatura de Haddad em SP: “todos têm que vestir a camisa”

Ministra defende que campo progressista tenha os melhores quadros concorrendo nas eleições para fortalecer palanques de Lula nos estados

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra da Secretaria das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (Foto: Diogo Zacarias/MF)

247 - A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, intensificou a pressão interna para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dispute as eleições em São Paulo. Em meio às articulações para 2026, a dirigente petista defendeu que integrantes do governo e do partido atendam ao chamado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reforçar palanques estaduais, especialmente diante do avanço da extrema direita.

As declarações foram dadas em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (28). Segundo Gleisi, o momento exige mobilização ampla das lideranças do campo progressista, inclusive de nomes que hoje ocupam cargos estratégicos no governo federal.

“Acho que numa situação como essa, de enfrentamento grande, todos têm que entrar em campo, vestir a camisa e fazer o que melhor sabem fazer na disputa eleitoral. Então defendo que todos os quadros nossos, inclusive o ministro Haddad, sejam candidatos. Precisamos fazer a disputa nos estados contra a extrema direita”, afirmou a ministra.

Fernando Haddad vem sendo pressionado por diferentes setores do PT para concorrer em São Paulo, seja ao governo estadual, seja ao Senado. De acordo com Gleisi, a definição sobre qual cargo ele deve disputar será tomada em diálogo direto com Lula. O próprio ministro já sinalizou que pretende deixar a Fazenda antes do prazo de desincompatibilização, mas manifestou o desejo de atuar como coordenador da campanha nacional do petista, sem participação direta no pleito.

Entre os fatores que pesam na hesitação de Haddad está o histórico recente de derrotas eleitorais. Ele perdeu a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016 para João Doria (PSDB), foi derrotado por Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2018 e voltou a perder em 2022, quando concorreu ao governo paulista contra Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ainda assim, aliados avaliam que o ministro chegaria às urnas em um cenário diferente, sustentado pela atuação à frente da Fazenda, que teria reduzido resistências do empresariado e do mercado financeiro ao seu nome.

Nos bastidores, Lula tem reiterado a aliados que considera fundamental a construção de um palanque robusto em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Gleisi reforçou essa avaliação ao destacar o contexto político nacional. “Estamos numa quadra histórica de defesa da democracia. Não podemos deixar a extrema direita voltar ao poder neste país. Este é o compromisso histórico do campo progressista, e o presidente Lula tem clareza dessa responsabilidade eleitoral”, declarou.

Uma eventual candidatura de Haddad ao governo paulista também é vista como uma forma de enfrentar diretamente Tarcísio de Freitas, apontado como uma das principais lideranças da direita no país e que deverá atuar na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) contra Lula. Mesmo com o governador sendo considerado favorito, setores do próprio PT avaliam que lançar um nome competitivo, ainda que em condições adversas, seria um “sacrifício” necessário para fortalecer o palanque presidencial.

A própria Gleisi se prepara para uma disputa difícil. Atendendo a um pedido direto de Lula, ela deverá concorrer ao Senado pelo Paraná. Até então, o plano era buscar a reeleição como deputada federal, em um cenário considerado mais favorável. A ministra deve permanecer no comando da Secretaria de Relações Institucionais até março, quando será substituída por Olavo Noleto, atual secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, o chamado Conselhão.

A pressão sobre Haddad também ganhou reforço público de outros integrantes do governo. Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o colega “cumpriu um papel importante em 2022 e representa algo muito maior”, acrescentando que ele “não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual”.

“No caso de São Paulo, os dois grandes nomes são [o vice-presidente Geraldo] Alckmin e Haddad. É questão de missão. Não é querer ou não querer. Muitas vezes precisamos nos colocar à disposição em nome do projeto nacional, independentemente se vamos ser vitoriosos ou não”, completou Camilo.

Dentro do governo, São Paulo é tratado como prioridade estratégica. Além de Haddad e Alckmin, também são citados como possíveis candidatos ao governo paulista a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB). Para o Senado, circulam os nomes da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), e do ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), compondo um tabuleiro eleitoral considerado central para os planos do Planalto em 2026.

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