O povo cubano resiste e luta sob a inspiração de Fidel e Martí
Diante das ameaças dos Estados Unidos, Cuba reafirma soberania, unidade nacional e continuidade revolucionária
Por José Reinaldo Carvalho - As declarações mais recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de seu secretário de Estado, Marco Rúbio, o mais fanático expoente do anticubanismo na atualidade, assumiram o caráter de um verdadeiro ultimato. Ao elevar o nível de coerção contra a ilha socialista, Washington reacende uma retórica intervencionista e belicista, estreita deliberadamente os caminhos da diplomacia e do diálogo e aposta, mais uma vez, na intimidação como instrumento de política externa.
Trump declarou abertamente que busca a mudança de governo em Cuba até o fim de 2026 e instou outros países a cortarem “óleo e dinheiro” da ilha. A rigor, não há novidade alguma nesse discurso, se consideradas as sucessivas etapas da perseguição movida pelos Estados Unidos desde a imposição do bloqueio ao país socialista caribenho, em 1962. É um ledo engano dos tiranos instalados na Casa Branca, no Departamento de Estado e no Pentágono imaginar que a brutal investida atual possa abater ou infundir medo no povo cubano. O eterno comandante da Revolução Cubana, em momento igualmente grave, foi cristalino ao afirmar: “No nos gustan las amenazas”. E acrescentou que aos cubanos nada mete medo.
Com a mesma firmeza, o Governo Revolucionário respondeu aos ataques, nestes dias fervilhantes do início de 2026, com a defesa intransigente da soberania, dos princípios e dos valores irrenunciáveis da Revolução Cubana. Essa postura ficou evidente nas declarações do presidente Miguel Díaz-Canel e do chanceler Bruno Rodríguez, assim como nas manifestações populares de afirmação da unidade nacional e de apoio ao governo revolucionário.
Díaz-Canel afirmou que os cubanos estão prontos para defender o país. “Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer”. Na mesma linha, o chefe de Estado e primeiro-secretário do Partido Comunista acrescentou que a ilha está “disposta a defender a Pátria até a última gota de sangue”.
Por sua vez, o chanceler Bruno Rodríguez condenou os Estados Unidos como “o hegemon criminoso e descontrolado que ameaça a paz e a segurança, não só em Cuba e neste hemisfério, mas do mundo inteiro”.
A Marcha das Tochas, realizada em 27 de janeiro em Cuba, e os pronunciamentos oficiais do Governo Revolucionário durante as celebrações, assumiram um peso simbólico de primeira grandeza como resposta política e ideológica às invectivas do presidente dos Estados Unidos. A mobilização da Marcha das Tochas converteu-se em uma poderosa afirmação pública de soberania, continuidade revolucionária e unidade nacional diante de um cenário de acrescida pressão externa e ameaça de agressão.
Tradicionalmente organizada na véspera do aniversário natalício de José Martí, a Marcha das Tochas ocupa um lugar central no espírito do povo cubano por representar a ligação entre gerações com o projeto nacional iniciado no século XIX e concretizado pela Revolução de 1959. Ao ocorrer em meio a declarações hostis provenientes de Washington, o ato adquiriu uma dimensão adicional: a de mensagem direta de que Cuba responde às ameaças com a reafirmação de sua identidade histórica, política e ideológica.
O simbolismo da Marcha das Tochas reside também no fato de ser uma manifestação massiva, protagonizada sobretudo pela juventude. A marcha e o discurso presidencial, em conjunto, projetaram a ideia de que a soberania cubana está profundamente enraizada na cultura política e na histórica do país.
A resposta de Cuba às agressões dos Estados Unidos está intrinsecamente associada ao legado e à inspiração de seus dois maiores filhos: José Martí e Fidel Castro. Esse cimento ideológico constitui o principal elemento da força inexpugnável do povo cubano, de sua Revolução e de seu Partido dirigente.
Há inúmeros episódios na História da Revolução Cubana em que Fidel transformou em consigna a disjuntiva “Pátria ou morte”, conceito político e ético que expressa a necessidade de enfrentar com audácia, altivez e fervor quaisquer agressões, por mais poderosos que sejam os algozes, mesmo sob risco extremo.
Quando o chefe da superpotência situada a cerca de 150 quilômetros anuncia que pretende submeter o país a medidas destinadas à chamada “mudança de regime”, o que, no caso cubano, significaria a submissão e a liquidação das conquistas da Revolução, o bem mais precioso da Pátria, a sentença de Fidel revela toda a sua atualidade e sentido histórico.
A prédica e os exemplos de vida e de luta de Fidel seguem presentes na resistência atual porque condensam a rebeldia, o espírito revolucionário, o patriotismo e o anti-imperialismo, aliados à lucidez de quem soube realizar a síntese entre a teoria da revolução, o marxismo-leninismo, e o pensamento de José Martí, ideólogo da “guerra necessária” pela Independência. Esse pensamento vive na unidade, na resistência e na luta do povo cubano. Tal síntese foi uma luz em todos os momentos em que Cuba enfrentou as mais duras provações, diante das mais brutais ofensivas do imperialismo estadunidense. É essa inspiração solar que seguirá guiando os passos do Partido, do Governo, das organizações sociais e das massas populares cubanas no enfrentamento dos graves desafios do presente.
Assim, trilhar os caminhos de Fidel e Martí significa mergulhar na fonte da compreensão justa da realidade, de que “Revolução é sentido do momento histórico”(*), nas tendências de nossa época, e reunir os elementos de convicção necessários para resistir e vencer.
(*) Frase do Conceito de Revolução, enunciado por Fidel Castro, em discurso durante a celebração do Primeiro de Maio no ano 2000.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



