O que aconteceria em caso de uma derrota militar de Israel?
Sem margem estratégica e diante de riscos existenciais, eventual derrota militar pode levar Israel a considerar o uso de seu arsenal nuclear
A guerra impensada, sem inteligência de qualidade e autônoma, e sem objetivos de guerra claros, caminha claramente para uma escalada. A resiliência militar e política do Irã foi avaliada de forma equivocada e preconceituosa. A possibilidade de uma derrota de Israel é hoje palpável.
Entendemos "derrota militar" em duas situações: (i) ameaça direta às fronteiras originais do país; (ii) a perda da capacidade de resposta eficaz por parte das Forças de Defesa do Estado judeu. O país, dadas suas dimensões geográficas, não possui meios de superar uma derrota, realinhar e responder a um adversário com grande mobilidade mecânica.
Não há profundidade estratégica. A perda de capacidade de resposta levaria seus vizinhos a uma possível invasão terrestre. Esse é o caso da "emergência nacional". Israel possui hoje um arsenal nuclear de cerca de 90 ogivas prontas para o emprego, com vetores do tipo tríade nuclear: mísseis Jericó II e III, com alcance médio e longo de até 6.000 km; caças F-351 Adir, com capacidade de tiro nuclear, e submarinos da classe Dolphin I e II, portadores de mísseis nucleares.
A estratégia nuclear israelense estabelece que um evento militar negativo que ponha a existência do Estado judeu em risco — como invasão do território "mater" ou a perda da capacidade de resposta — implicaria no recurso ao arsenal nuclear. Ou seja, por tal estratégia, Israel não deve ser derrotado militarmente de forma a colocar em risco a existência estatal. Nesses casos, o gabinete, sob sugestão do primeiro-ministro e do ministro da Defesa, deverá aprovar o uso do arsenal atômico.
A paz é a única saída.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



