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Petróleo dispara acima de US$ 116 com intensificação da guerra de EUA e Israel contra Irã

Alta do petróleo reflete escalada da guerra e crise energética global com impacto direto nos mercados

Bomba de petroleo nos arredores de Scheibenhard, na França 6 de outubro de 2017 REUTERS/Christian Hartmann (Foto: CHRISTIAN HARTMANN)

247 - Os preços do petróleo ultrapassaram a marca de US$ 116 por barril em meio ao agravamento da guerra dos EUA e Israel contra o Irã, ampliando temores de uma crise energética global e pressionando mercados internacionais. A valorização da commodity ocorre em um cenário de escalada militar, bloqueios estratégicos e incertezas geopolíticas que afetam diretamente o abastecimento mundial.

De acordo com reportagem publicada pela Al Jazeera, o petróleo Brent — referência global — avançou mais de 3% na manhã desta segunda-feira (30), atingindo o nível mais alto em quase duas semanas. O movimento acompanha a intensificação da guerra, com novos episódios de confrontos e ameaças entre as partes envolvidas.

A escalada do conflito ganhou novos contornos no fim de semana, com os houthis do Iêmen lançando mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da guerra. Ao mesmo tempo, Israel ampliou sua ofensiva no sul do Líbano, aumentando a tensão em múltiplas frentes.

Os impactos já são visíveis nos mercados financeiros. As principais bolsas asiáticas registraram fortes quedas, com o índice Nikkei 225, do Japão, e o KOSPI, da Coreia do Sul, recuando mais de 4% durante as negociações.

Desde o início do conflito, os preços do petróleo já acumulam alta próxima de 60%, pressionando combustíveis e levando diversos países a adotarem medidas emergenciais para conter o consumo de energia.

Analistas apontam que a tendência de alta deve persistir caso o fluxo marítimo no estreito de Ormuz não seja normalizado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou “aniquilar” a infraestrutura energética do Irã caso o país não ceda o controle da hidrovia até o prazo estipulado para 6 de abril.

Trump, que recentemente prorrogou o prazo em 10 dias, também apresentou um plano de 15 pontos para encerrar o conflito e indicou avanços em negociações indiretas mediadas pelo Paquistão. “Eu vejo um acordo com o Irã, sim”, afirmou o presidente a repórteres a bordo do Air Force One. “Pode ser em breve.”

O governo iraniano, no entanto, rejeitou a proposta e apresentou as suas próprias para um cessar-fogo, incluindo reparações de guerra e o reconhecimento do direito de Teerã de controlar o estreito.

Para especialistas do setor energético, os efeitos mais severos da crise ainda não foram totalmente sentidos. Greg Newman, CEO do Onyx Capital Group, destacou que o impacto no mercado físico tende a se intensificar nas próximas semanas.

“O petróleo físico circula pelo mundo em ciclos de carregamento, e a Europa levou cerca de três semanas para começar a sentir de fato os efeitos da escassez de petróleo”, disse Newman à Al Jazeera. “O preço do Brent está começando a refletir a realidade, e acreditamos que daqui em diante será uma ascensão constante rumo a US$ 120 e além.”

O executivo também alertou para a gravidade inédita da situação. “Ninguém no mercado jamais viu as interrupções que estamos enfrentando agora – os prêmios físicos estão nos níveis mais altos de todos os tempos. Ainda existe a sensação de que o cenário macroeconômico não está levando isso a sério o suficiente, mas é pior do que qualquer coisa que já tenha acontecido antes”, afirmou. “A realidade se revelará nos números econômicos nos próximos meses.”

Apesar de sinais pontuais de flexibilização — como a autorização iraniana para a passagem de embarcações de países não alinhados aos EUA ou a Israel — o fluxo marítimo permanece muito abaixo dos níveis anteriores à guerra. Antes do conflito, iniciado em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz registrava cerca de 120 trânsitos diários; atualmente, esse número é apenas uma fração desse volume.

Medidas recentes, como a liberação de navios do Paquistão e da Malásia, foram classificadas como passos “significativos rumo à paz”, mas ainda insuficientes para normalizar o abastecimento global.

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