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“É hora de dar uma pausa nesta guerra”, diz editorial do Global Times

Guerra no Oriente Médio completa um mês com escalada militar, crise energética e pressão internacional por cessar-fogo

Fumaça sobe após uma explosão, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, em Teerã, Irã, 7 de março de 2026. (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS)

247 - O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã completa um mês com impactos crescentes na geopolítica global, agravando tensões regionais, elevando riscos econômicos e intensificando apelos internacionais por um cessar-fogo imediato. A escalada militar, iniciada em 28 de fevereiro, já ultrapassou previsões iniciais e amplia o temor de uma crise fora de controle.

Editorial publicado pelo Global Times aponta que a guerra, iniciada por EUA e Israel em meio a negociações, não atingiu seus objetivos e se aproxima perigosamente de um cenário de colapso. Segundo o texto, o conflito tem provocado efeitos profundos na ordem global e exige medidas urgentes para evitar uma deterioração irreversível da situação.

Ao longo de quatro semanas, os confrontos se expandiram para além dos territórios diretamente envolvidos. Além de Irã e Israel, países como Kuwait, Iraque, Catar, Emirados Árabes Unidos e Bahrein também foram atingidos por ações militares, afetando infraestruturas críticas e a segurança civil. A guerra se estendeu do Golfo Pérsico ao Mediterrâneo Oriental, incluindo pontos estratégicos como o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab el-Mandeb.

O editorial ressalta que a expectativa inicial do governo dos EUA de uma campanha rápida não se concretizou. A tentativa de uma “vitória rápida e decisiva” fracassou, evidenciando os riscos de intervenções militares prolongadas. Segundo a análise, a guerra foi construída sobre “graves erros de cálculo estratégicos e um déficit de moralidade”.

Os impactos humanitários e ambientais também são destacados. Episódios como o ataque a uma escola em Minab e a contaminação descrita como “chuva negra tóxica” em Teerã aumentaram o alerta internacional, especialmente diante do risco de vazamentos radioativos após bombardeios a instalações nucleares iranianas.

No campo econômico, a guerra já provoca efeitos globais. A restrição à navegação no Estreito de Ormuz elevou o preço do petróleo para acima de US$ 112 por barril, enquanto cadeias de suprimentos enfrentam interrupções. O editorial alerta que a continuidade da escalada pode desencadear uma recessão global, afetando diretamente a economia de diversos países.

Outro fator de preocupação é a ampliação dos alvos militares. Infraestruturas civis essenciais, como refinarias, usinas de dessalinização e centrais elétricas, passaram a ser atingidas. Para o Global Times, esse padrão de “destruição mútua” pode agravar ainda mais a crise humanitária.

A entrada do movimento Houthi no conflito abriu uma nova frente e aumentou os riscos na rota marítima do Mar Vermelho, elevando custos logísticos e pressionando ainda mais os mercados internacionais. Paralelamente, o envio de 3.500 militares dos EUA à região eleva a possibilidade de uma ofensiva terrestre e de um conflito prolongado.

O desgaste político também se torna evidente. Em Tel Aviv, manifestantes levaram às ruas o slogan “Basta: acabem com a guerra eterna”. Nos Estados Unidos, mais de 3.100 protestos foram registrados com a mesma reivindicação. O editorial cita ainda a renúncia de Joe Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, que teria deixado o cargo por não conseguir, “em sã consciência”, apoiar a guerra contra o Irã.

A escalada também eleva o risco de novos alvos. Após um ataque à Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã, a Guarda Revolucionária declarou que universidades americanas e israelenses no Oriente Médio seriam consideradas “alvos legítimos”, ampliando o temor de expansão do conflito para instituições civis.

Apesar do cenário crítico, o editorial avalia que ainda existe uma janela para a desescalada. O desafio central seria retomar canais de diálogo e adotar medidas de contenção.

O texto conclui com um alerta sobre os custos humanos irreversíveis da guerra, citando as vítimas civis e reforçando que conflitos armados não produzem vencedores. O editorial também destaca a posição da China, que defende um cessar-fogo imediato e a interrupção das hostilidades como prioridade urgente.

Ao final, o Global Times reforça o apelo por uma solução política e pelo fim imediato do conflito, advertindo que a continuidade da guerra apenas ampliará os danos e aprofundará as crises no Oriente Médio e no cenário internacional.

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