O racismo de Trump e o vale tudo do mundo
Trump vai conquistando o mundo como Hitler conquistou a Europa e parte da África
Esta última tirada repugnante e racista do Trump nas redes sociais associando as figuras de Michelle e Barak Obama a dois macacos mostra que chegamos ao fundo do poço em termos de falta de civilidade, pudor e regras sociais. Trump é imparável. Só vai parar se o próprio povo americano o tirar e parece que é o que vai acontecer tanto nas eleições agora deste ano quanto no futuro. Mesmo tendo tido comentários a favor, a reação contrária a esta última postagem foi enorme. Aliás, Trump tem sentido as reações contrárias. Mal ou bem ele tem recuado das ações nazista em Minneapolis quando o país inteiro vai para as ruas e o americano vai, protesta e pressiona.
Muita coisa mudou desde os primeiros tempos das manifestações pelos direitos civis. Muita coisa ruim surgiu também, mas não podemos nos iludir com os Estados Unidos. Um país protestante, reacionário, conservador e branco e que tem uma constituição que protege esses mesmos brancos e ricos não poderia se comportar diferentemente. Prega ser o país da liberdade, mas é uma liberdade individualista, de vencer a qualquer custo e se necessário pisando no vizinho. É a liberdade de mercado, liberdade liberal sem nenhuma participação do Estado. As conquistas populares ficam paralisadas e o país segue cometendo esses absurdos.
Trump vai conquistando o mundo como Hitler conquistou a Europa e parte da África. Vai avançando pregando a supremacia branca e liberal e o mundo assiste assustado a este avanço. Difícil acreditar que ele seja inteligente, que seja um estadista mesmo que autoritário. Trump é rico e o poder que vem desta riqueza é que o caracteriza. Impossível pensar que seu envolvimento nessa lama toda do escândalo Epstein o poupe, que ele consiga escapar e seja eleito. A capacidade do eleitor em eleger coisas absurdas lá e cá, não me surpreende. Fico surpreso com a apatia e a impotência que vai surgindo no resto do mundo em cima dessas aberrações. O eleitor cada dia mais despreparado e sem consciência política, quando vai votar, acaba elegendo essas pessoas. É preciso sim que essa consciência política acompanhe o desenvolvimento social em cada país, sobretudo no nosso.
A filósofa política Hanna Arendt chama de atomização, a fragmentação da sociedade em indivíduos isolados, desconfiados e sem laços comuns, criando o terreno fértil para regimes totalitários. Esse isolamento gera solidão e desamparo, tornando as pessoas passivas, propensas à ideologia e ao "mal banal", facilitando a dominação política ao destruir a ação conjunta.
Os feminicídios, os maus tratos a animais, a perseguição a pessoas trans, negras e outros mostram o nível de abandono que nos encontramos. O plano deles está dando certo. Destruir tudo que possa ameaçar a avanço desta economia liberal de mercado para que a riqueza emergente determine a duração deste estado de exploração e iniciativa privada que não proporciona absolutamente nada às populações.
O Brasil segue o mesmo caminho com a diferença que aqui pelo menos, temos leis que tentam nos proteger. Ao mesmo tempo que vemos um presidente cometer um crime de racismo sem ser punido vemos uma turista argentina que cometeu o mesmo crime ser processada e se dizer assustada com tudo. É uma tentativa de ensinar mesmo que através da punição. Mas se é crime tem que ser punido até que deixe de ser cometido.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



