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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Os dois erros capitais de Ancelotti

Nem sempre um ótimo técnico de times é um ótimo técnico de seleções

O técnico do Brasil, Carlo Ancelotti, reage após o gol de Vinicius Jr. 13 de junho de 2026 REUTERS/Dylan Martinez (Foto: REUTERS/Dylan Martinez)
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É um erro pensar que um bom jogador de um time sempre pode ser um bom jogador de seleção. No time, o bom jogador treina todos os dias com seus colegas. Joga todas as semanas com seus colegas. Assimila o estilo imposto pelo técnico. Conhece o jeito de jogar de seus colegas. Joga por música. Quando chega à seleção, tem que se adaptar a outros estilos. Tanto dos seus colegas quanto do técnico. Tem que esquecer o estilo imposto pelo técnico do seu time e aprender a jogar em outro estilo. É como um músico que entra em uma nova orquestra. E tem que se adaptar a outros estilos treinando pouco e jogando pouco. Não todos os dias, nem todas as semanas.

Com técnicos, a situação é a mesma. Quando Carlo Ancelotti chegou para treinar o Real Madrid, já encontrou um time de craques. Acostumados a jogar juntos. Entrosados. Se quisesse, podia pedir para a diretoria comprar outros craques. Os melhores. De qualquer país. Quando chegou à seleção brasileira, ele teve que montar um time do zero. Só com jogadores brasileiros. Que atuavam em vários times. Acostumados com o estilo de jogo dos seus colegas e do seu técnico. Com poucos treinos e poucos jogos, esses jogadores, que eram bons nos seus times, tiveram que se adaptar ao estilo de outros jogadores e de outro técnico.

Como foi contratado quase em cima da hora, Ancelotti achou que não daria tempo de formar uma nova seleção. Resolveu convocar praticamente os mesmos jogadores da Copa anterior, de 2022. Pensando que, como já tinham jogado juntos, seria mais fácil se entenderem. Por isso, não coloca os novos, como Endrick, no time titular. Apesar de seu desempenho ser melhor que o dos outros atacantes.

Com essa decisão, Ancelotti cometeu dois equívocos: 1) é um grupo de jogadores campeões em seus times, mas que foi derrotado na Copa anterior; e 2) eles estão quatro anos mais velhos.

Nem sempre um ótimo técnico de times é um ótimo técnico de seleções.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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