Pedro Uczai assume comando do PT na Câmara e reforça luta histórica do partido contra privilégios no serviço público
Em um país profundamente desigual, a existência de remunerações que ultrapassam amplamente o teto constitucional causa indignação social
A chegada de Pedro Uczai (PT/SC) à liderança do PT na Câmara dos Deputados já aponta sua atuação política. Já no início de sua gestão, Uczai deixa claro que exercer a liderança é, antes de tudo, assumir responsabilidades e enfrentar temas sensíveis. Sua posição firme no combate aos abusos e privilégios no serviço público, especialmente os supersalários, representa um gesto necessário e alinhado aos interesses da sociedade brasileira.
Mesmo diante de pressões, Pedro Uczai manteve sua posição, demonstrando coragem política, coerência e compromisso com o interesse público.
Em um país profundamente desigual, a existência de remunerações que ultrapassam amplamente o teto constitucional causa indignação social. A maioria dos brasileiros sobrevive com menos de dois salários mínimos, segundo o Censo de 2022, divulgado pelo IBGE, e muitos sequer alcançam esse patamar, sobretudo na informalidade. Para grande parte da população, custear alimentação, moradia e transporte já é um desafio diário. Defender o cumprimento do teto constitucional, nesse contexto, é também um gesto de empatia e respeito por aqueles que lutam diariamente para sobreviver e sustentar suas famílias.
A atuação de Pedro Uczai está em sintonia com a trajetória histórica do Partido dos Trabalhadores. Desde sua fundação, o PT construiu sua identidade política na defesa dos trabalhadores, dos mais humildes e dos grupos historicamente excluídos das decisões do Estado. O partido sempre se posicionou contra os privilégios das elites e em favor de um Estado comprometido com a maioria da população na superação das injustiças sociais e econômicas. Ao longo de suas gestões, enfrentou interesses poderosos, promoveu políticas de inclusão social, valorizou o salário mínimo e ampliou o acesso a direitos.
A luta contra o modelo patrimonialista na administração pública permanece atual e indispensável. Trata-se de um modelo no qual interesses privados se confundem com o patrimônio do Estado, perpetuando privilégios e desigualdades. Em oposição a essa lógica, defendemos um novo modelo que coloque o povo no centro das decisões públicas, orientado pela justiça social e tributária, pela transparência e pelo uso responsável dos recursos públicos.
Nesse contexto, a regulamentação do teto do funcionalismo público, prevista no Projeto de Lei nº 3401/25, apresentado pela bancada do PT na Câmara dos Deputados, representa um passo fundamental para o fortalecimento da Administração Pública e da justiça fiscal no Brasil. A manutenção dos supersalários alimenta a insatisfação social e enfraquece a confiança da população nas instituições.
Em um contexto de avanços sociais promovidos pelo governo Lula, com a busca pela justiça fiscal por meio da reforma tributária, políticas públicas eficazes, valorização do salário mínimo e isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, não podemos retroceder. É fundamental que as remunerações estejam em sintonia com a realidade econômica do país, contribuindo para a redução das desigualdades salariais e o fortalecimento da equidade social.
Portanto, não podemos aceitar salários que destoam completamente dessa realidade. Ao estabelecer regras mais claras e eficazes para o cumprimento do teto remuneratório, o PL 3401/25 contribui para a transparência, a equidade entre os servidores e a responsabilidade fiscal. A proposta fortalece o funcionalismo público, pois corrige distorções históricas.
A postura adotada por Pedro Uczai neste início de sua liderança indica um caminho de conexão com os anseios sociais e o resgate de bandeiras históricas defendidas pelo Partido dos Trabalhadores. Enfrentar privilégios, mesmo quando isso implica contrariar interesses internos e pressões corporativas, é uma atitude que fortalece a democracia e resgata a confiança da população na política.
Combater supersalários não é apenas uma pauta administrativa. É uma escolha política clara, corajosa e necessária, sempre ao lado do povo brasileiro.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


