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Jailton Andrade

Jailton Andrade é advogado, músico, dirigente sindical e do movimento negro e criador do Debate Petroleiro

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Petroleiros do Brasil, uni-vos!

A FUP e a FNP deram um show de unidade na luta pela vitória de Lula e, de mãos dadas, irão para a posse do presidente no próximo domingo

(Foto: Divulgação / FUP)

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A FUP e a FNP deram um show de unidade na luta pela vitória de Lula e, de mãos dadas, irão para a posse do presidente no próximo domingo.

Petroleiros e petroleiras da FUP e da FNP na Câmara dos Deputados, julho/2022. Sindipetro Caxias

É inegável a importância do solo brasileiro no desenvolvimento do maior país da América Latina. Apesar do sequestro, o Brasil ainda está hoje entre os 10 maiores produtores de petróleo, maior exportador de grãos e carne, um dos maiores mercados consumidores, etc., etc., tudo graças ao desenvolvimentismo rodoviário de JK, que pode ser um debate, mas não esse.

O antigo divisionismo da esquerda, que se manteve durante o julgamento da AP 470 no STF, passando pela operação lava-jato e que perdurou até (e inclusive) o golpe contra Dilma Rousseff, volta agora em plena transição de governo como se não tivéssemos atravessado terríveis momentos, como se fosse apenas uma discussão sobre o índice de reajuste nas assembleias de trabalhador, como se fosse “só o capital cruzando o mar”.

O fisiologismo transnacional está tirando bilhões de dólares do país sob o pretexto do Preço de Paridade de Importação e nesse grande fluxo, parasitas marginais internos sugam o sangue derramado pela ANP no fechamento dos campos públicos de petróleo na Bahia. Esse sangue é o petróleo do povo que hoje jorra nos bolsos da 3R, Petroreconcavo e Acelen. Pedro Parente e Roberto Cunha Castello Branco precisam ser investigados. Não era melhor falar sobre isso? Mas não. A missão é constranger Lula por ter escolhido um presidente assim ou assado.

Institucionalizaram o desvio com narrativas. Quem foi esquecido na lava-jato por comprar Medidas Provisórias no Congresso Nacional hoje é dono de refinaria estatal. Enquanto isso o dinheiro árabe come no centro, gastando o nosso carbono, petróleo e minério para fazer transição energética no Oriente Médio e na Ásia. Aí vem os ambientalistas protetores dos peixinhos da Alemanha me dizer que a discussão sobre o petróleo do Brasil não é uma pauta ambiental. E a transição energética vamos pedir a quem? À Shell da Nigéria ou à Mubadala de Abhu Dabi? Os ambientalistas do Baêa até gostaram da compra do time (98,6% dos votantes aprovaram a venda), mas levantar bandeira na frente da Acelen, avemaria, “sou coerente com a causa ambiental”. Imagine o ambientalista pedindo o restabelecimento do gás da Rússia (porventura cortado em função da guerra com a Ucrânia) para salvar os peixinhos do frio Alemão?

O outro centro onde come o dinheiro, o dos anões do orçamento, que hoje é do orçamento secreto, precisava de um outro Poder para conter os desmandos porque nossa esquerda, unida ou dividida, não tinha e não tem condições de enfrentar democraticamente. Aliás, nossa pequena esquerda está num único Poder e mesmo nesse tem que ceder em nome da coalizão. Vamos imaginar quem seria o presidente da Petrobras em 2023 sem essa coalizão?

Noutra toada, se você não percebeu, a ideologia imposta pelo “Teto de Gastos” colocou o Estado como sujeito ativo de um novo crime: o de execução das políticas sociais previstas na lei brasileira. Pense aí: os congressistas de Michel Temer criaram no fim de 2016 uma Emenda à Constituição (EC 95) que impede o executivo de cumprir a Constituição Federal. Como disse o vice Mourinho no seu “Twiter” o bolsa família não pode furar o teto de gastos. Que se exploda o povo porque a responsabilidade fiscal para eles é uma responsabilidade antissocial. O pobre tem que comer na mão do patrão, literalmente.

Enquanto isso, empresas públicas e de economia mista, que constitucionalmente são alicerces da nossa soberania, são adjetivadas para novos rótulos do tipo exportação e seguirão para o exterior no mesmo comboio que leva nossa soja, carne e minério. 

A par de tudo isso e enquanto as bombas fabricadas com transferência de tecnologia dos quarteis são neutralizadas em Brasília, vem os ranzinzas com análises, cujas conclusões põe em dúvida se o futuro presidente da Petrobras é mais à esquerda ou à direita. 

Ninguém quer falar da desregulação do setor energético, nem da ANP ou do TCU de 2023. Acordei hoje pra falar do petista escolhido para a presidência da Petrobras, mesmo sabendo que Jean Paul Prates é contra o PPI, contra a política atual de dividendos, a favor da autossuficiência em combustíveis e a favor de reaquisições, inclusive com a chamada de ex-petroleiros estatais. Além disso, já afirmou que pretende rediscutir o acordo com o CADE (o TCC) e defende uma estatal integrada em energia.

Tá faltando o que aí? Que ele seja protestante?

Vamo acordar moçada! É hora de outro foco pra essa energia. Tem um rolo compressor por cima de tudo e não podemos desviar a atenção. Antecipar esse controle social é a ansiedade do ócio. Todos queremos um presidente pra chamar de seu. Podia ser uma mulher negra, ambientalista, professora ou engenheiro, mas esse é o presidente de Lula dentro de uma coalizão que foi necessária para vencer Bolsonaro e sua gestão e se Prates se conduzir conforme o que diz, para o Brasil tá ótimo. Bom lembrar que chegamos até Bolsonaro porque Dilma não prestava, também, para uma parte de nós. Esse tumulto em torno do futuro presidente da Petrobras não pode ser o cavalo de batalha de quem pode fazer muito mais que isso.

Temos diferenças com nossa base, nosso sindicato, nosso partido, nossa frente e nem por isso devemos melindrar essas instituições. Ou você acha que me conforta ter os anões Geddel e ACM, o neto, na coalizão? Mas é o que temos pra hoje e se nós não nos conectarmos nem à nossa base, seremos fadados ao secundarismo de escrever notas ranzinzas cujo alcance do fogo é só o amigo. 

Somos uma massa de trabalhadores e trabalhadoras altamente especializad@s em soberania, em entrega social. Na Petrobrás ou no setor privado, nossa função é pública e somos nós que vamos ajudar a conduzir a reconstrução e o desenvolvimento do nosso país, não só abastecendo o mercado nacional de energia, mas também protegendo nosso meio ambiente das intempéries da sanha financeira internacional. Petroleiros e petroleiras participam de uma cadeia de ações cujo resultado final é matar a fome do nosso povo. Essa é uma missão sublime.

A FUP e a FNP, por exemplo, deram um show de unidade na luta pela vitória de Lula e, de mãos dadas, irão para a posse do presidente no próximo domingo.

Então colegas, vamos juntar, olhar e agir para frente fortalecendo a escolha do presidente Lula. Não vamos reclamar do sol se ainda nem amanheceu.

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