Pistola de Bolsonaro é apreendida com Kid Preto, seu ex-segurança pessoal, na presidência
Enquanto a esquerda costuma repetir o bordão: “a luta continua”, a ultradireita tem um outro que procuram colocar em ação: “o golpe continua”.
A pistola 9 milímetros encontrada com o militar durante uma blitz em Taguatinga, segundo sargento Estácio Leite da Silva, era do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme informou o próprio portador que, a princípio, tentou esconder o verdadeiro proprietário. Porém, diante da falta de registro da pistola em seu nome, foi obrigado a confessar ser de Bolsonaro, a arma que transportava no chão do carro que conduzia.
A Polícia Civil do Distrito Federal, que fez a apuração, levantou que Leite da Silva era oficial do GSI. Segundo fontes da área militar consultadas pelo 247, o segundo sargento Estácio Leite da Silva, fez cursos de combate e possui registro como integrante do Comando de Operações Especiais do Exército brasileiro, conhecido como Kids Pretos. Tem seus cursos classificados como sigilo militar.
Ele pertence ao Quadro Especial, conhecido no jargão militar como QE – Quadro Especial – e entrou no Exército como soldado, progredindo até o posto de sargento. Duante o tempo em que Jair Bolsonaro esteve na Presidência ele era seu segurança pessoal, tendo recebido para isso, segundo o Coaf, gratificação por exercer o cargo, entre maio de 2022 e julho de 2023.
Estava lotado no GSI, o que é totalmente ilegal – não faz parte da boa prática do meio militar -, e transitava livremente entre o Palácio da Alvorada e o Palácio do Planalto, mesmo na gestão do presidente atual, Luiz Inácio Lula da Silva.
Pela atividade que exercia recebia diretamente da conta do então presidente Jair Bolsonaro, para a sua conta, dava uma gratificação da ordem de R$ 13,3 mensais e recebia, acrescidos de um “plus” do presidente Bolsonaro, de R$ 1900,00 por mês. O superior imediato de Estácio Filho era o coronel Marcelo Câmara – hoje condenado pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, com a pena de 21 anos -, e o superior geral era o general Augusto Heleno, que também foi condenado pelo mesmo motivo, com pena de 24 anos, que cumpre em prisão “domiciliar humanitária”.
O flagrante de apreensão da pistola 9 milímetros que vem a ser de Bolsonaro, acontece às vésperas do encerramento do período de sua prisão domiciliar, previsto para o dia 25. A história contada pelo segundo sargento é a de que Bolsonaro teria solicitado um “reparo no armamento”.
De acordo com uma fonte do Ministério Público, que avaliou rapidamente a situação, “à luz da Lei de Execução Penal, o porte de arma de fogo durante o cumprimento de condenação criminal, constitui falta gravíssima, o que torna passível de regressão de regime. Ou seja, se o condenado estiver em regime de prisão no semiaberto ou no aberto, a regressão de regime para o fechado seria imediata”.
Essa mesma fonte fez a seguinte ressalva: “Ocorre que ele estava em regime especial por conta dos problemas de saúde e por conta disso, o Alexandre de Moraes notificou a defesa antes de qualquer providência”. Segundo o integrante do Ministério Público, “o fato é gravíssimo, não só pelo que conversamos, mas demanda também uma investigação sobre a chegada dessa arma de fogo até às mãos do condenado”.
De acordo com as observações dessa mesma fonte, Bolsonaro deve assumir a posse da arma, mas “vai apresentar um monte de justificativas dizendo que era militar, ex-presidente etc., o que não justifica nada, pois a situação jurídica principal é que está condenado e cumprindo pena”.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




