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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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Por que a próxima eleição do Lula é mais fácil que a anterior?

Até setores do Centrão, que, dando-se conta do favoritismo do Lula e sem condições de ficar muito tempo fora do governo, se aproximam dele

27.02.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante encontro com o atleta medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão–Cortina 2026, Lucas Pinheiro Braathen.Palácio do Planalto. (Foto: Ricardo Stuckert/PR )

Na eleição anterior, o Lula havia saído da prisão enquanto enfrentava o Bolsonaro, que havia sido eleito presidente do Brasil na eleição anterior.

Lula não podia contar com a imagem dos seus governos, que tinham ficado mais longe no tempo, longe da memória das pessoas, ainda mais sob o efeito do trabalho da grande mídia de criminalizá-lo, de destacar esse lado da imagem do Lula e não a do governante de sucesso.

Era um enfrentamento mais difícil do que o da próxima eleição. Nesta, o Lula conta com o sucesso do seu governo, com todos os índices positivos do seu governo, com os efeitos reais da distribuição de renda promovida pelo seu governo, pelo pleno emprego e por outros efeitos do seu governo.

Enquanto isso, o Bolsonaro está preso, condenado por tentativa clara de golpe de Estado. Seu filho, designado por ele como seu candidato, não tem o que apresentar, nem de si mesmo nem de seu pai. A que herança ele pode apelar?

Basta ver a última manifestação dos bolsonaristas na Avenida Paulista. Não havia nenhuma proposta sobre o que fazer com o Brasil, apenas o Fora Lula, sem nem mesmo argumentos que se contrapusessem ao país resultado do governo Lula.

O próprio candidato adversário do Lula desmaiou e sujou as calças em debate com a Jandira Feghali. Imagine com o Lula! Ele vai comparecer ou vai alegar alguma indisposição para não comparecer aos debates?

As condições em que se deram as eleições anteriores eram claramente menos favoráveis às desta eleição. Mesmo com as "pesquisas" tentando animar o candidato da oposição, a mídia, como partido da direita, joga pesado contra a imagem de um Lula forte, o que a incomoda profundamente.

A própria mídia, invocando suas pesquisas, joga com a cartada de uma disputa equilibrada nestas eleições. A esquerda não pode cair nessa esparrela. Temos que reafirmar a força do Lula e as razões com que ele conta para enfrentar o filho do Bolsonaro.

Não para afrouxar, considerando que o favoritismo do Lula não exige grandes pelejas pela frente. Mas, desde então, o Lula conquistou novos aliados, como o Alckmin, a Tebet, entre outros. Até setores do Centrão, que, dando-se conta do favoritismo do Lula e sem condições de ficar muito tempo fora do governo, se aproximam dele.

O Lula conta agora também não só com o sucesso do seu novo governo, mas com o fracasso do neoliberalismo. O caso da Argentina é muito claro, contraposto ao sucesso do antineoliberalismo no Brasil.

Donald Trump também debilitou a hegemonia norte-americana na América Latina e no mundo. Um cenário claramente favorável ao Lula.

Assim, o cenário das próximas eleições é mais favorável ao Lula, por todos esses argumentos, do que foi o cenário das eleições anteriores.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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