Quaest põe Lula à frente de Flávio Bolsonaro nos dois turnos
O presidente Lula (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno e volta a liderar numericamente o confronto
O presidente Lula (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno e volta a liderar numericamente o confronto direto de segundo turno na Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13), num retrato que devolve ao petista vantagem sobre o principal nome da direita para 2026.
No primeiro turno, Lula marca 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro. A distância de seis pontos confirma a polarização entre o presidente e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas ainda deixa a disputa aberta porque 37% dos entrevistados dizem que podem mudar o voto.
Os demais nomes aparecem muito atrás. O governador Ronaldo Caiado (PSD-GO) tem 4%, o governador Romeu Zema (Novo-MG) também registra 4%, Renan Santos (Missão) soma 2%, enquanto Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Samara Martins (UP) têm 1% cada. Aldo Rebelo (DC) e Hertz Dias (PSTU) aparecem com 0%.
No segundo turno, Lula tem 42% e Flávio Bolsonaro, 41%. O dado não autoriza cantar vitória porque há empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas a virada numérica tem peso político: em abril, Flávio Bolsonaro aparecia com 42%, contra 40% de Lula.
A mudança desmonta, ao menos nesta rodada, a narrativa de que Flávio Bolsonaro teria aberto uma dianteira estável contra Lula. O senador continua competitivo, mas perde a fotografia favorável de abril justamente no mês em que o governo federal emendou anúncios com apelo direto ao eleitor endividado, ao consumidor de baixa renda e ao debate da segurança pública.
A Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre sexta-feira (8) e segunda-feira (11). A margem de erro é de dois pontos percentuais, o nível de confiança é de 95% e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-03598/2026.
O ponto mais sensível para as duas campanhas está nos eleitores independentes. Nesse grupo, 35% dizem que não votariam em Lula nem em Flávio Bolsonaro no segundo turno, 31% escolheriam o senador do PL e 29% ficariam com o presidente. Eles representam 32% do eleitorado medido pela Quaest.
Esse dado interessa ao Palácio do Planalto porque mostra espaço para Lula crescer fora do eleitorado fiel. Também interessa à direita porque revela que Flávio Bolsonaro ainda fala com uma parcela relevante de quem não se declara lulista, bolsonarista, de esquerda ou de direita.
A pesquisa também registra melhora no humor sobre o governo. A desaprovação de Lula caiu de 52% para 49%, enquanto a aprovação subiu de 43% para 46%. A avaliação negativa da gestão passou de 42% para 39%, e a positiva subiu de 31% para 34%.
A sequência de medidas ajuda a explicar o movimento, sem provar relação automática de causa e efeito. O governo lançou nova etapa do Desenrola, anunciou o Programa Brasil Contra o Crime Organizado e assinou medida provisória para zerar o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.
Nos outros cenários de segundo turno, Lula aparece em vantagem mais confortável. O presidente marca 44% contra 37% de Zema, 44% contra 35% de Caiado e 45% contra 28% de Renan Santos. A direita, por enquanto, só encosta de fato quando o nome testado é Flávio Bolsonaro.
A consequência eleitoral é simples: a eleição presidencial de 2026 segue com cara de duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas a fotografia de maio devolve ao presidente a dianteira numérica nos dois turnos. A disputa, porém, continua dentro de uma margem estreita no confronto direto.
O alerta para Lula é que 55% dizem que ele não deveria ter um novo mandato. O alerta para Flávio Bolsonaro é outro: mesmo com rejeição relevante ao governo, ele não consegue transformar esse desgaste em liderança fora da margem contra o presidente.
A Quaest mostra uma corrida dura, nacionalizada e dependente do eleitor que rejeita os dois campos. O dado favorece Lula nesta quarta-feira (13), mas obriga o governo a converter melhora de percepção em voto consolidado.
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* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




