Quando a moderação política é má conselheira
É hora de subir o tom do discurso e se pintar para a guerra política contra os padrinhos da Lava Jato 2.0
Peço licença ao internauta Sérgio Prado Moura para reproduzir aqui uma de suas postagens nas redes sociais:
"O grande erro da esquerda é ainda acreditar que a verdade prevalecerá. A verdade, para o grande público, é a versão que lhe contam. O caso Master é exemplar. Apesar de Vorcaro ter doado milhões à campanha do Bolsonaro e do Tarcísio e zero real para o Lula. Apesar de ter emprestado o jatinho dez vezes para o Nikolas. Apesar de chamar o Ciro Nogueira de amigo de uma vida. Apesar dos milhões desviados por Ibaneis e por Cláudio Castro, muita gente ainda acredita que o esquema é da esquerda".
Com afiado poder de síntese, Sérgio, a quem não conheço pessoalmente, põe o dedo na ferida. Oxalá seu texto ajude na reação das forças progressistas. Mais uma vez no Brasil se forma um conluio entre o poder financeiro e os grupos de mídia para sabotar a verdade e emplacar uma narrativa distorcida dos fatos.
Tudo para impedir a vitória de Lula, apostando na súbita conversão de Flávio Rachadinha em um direitista civilizado e moderado. Isso é algo tão sem propósito que a jornalista Flávia Oliveira, uma das poucas vozes independentes do Grupo Globo, cravou: "Nunca ninguém viu cabeça de bacalhau, filhote de pombo e bolsonarista moderado".
O que importa para a Globo, suas coirmãs na imprensa corporativa e a Faria Lima é que o filho de Bolsonaro segue o receituário econômico de Paulo Guedes. Pouco importa quem seja o presidente da República.
No entanto, a Globo, neste movimento de apoio a um inimigo da democracia, pode ser acusada de tudo, menos de incoerência. Qualquer dúvida, é só dar uma passada de olhos no currículo que ostenta ao longo da história.
Na conjuntura atual, na qual se ataca dia e noite o STF, mas com o objetivo central de enfraquecer Lula, a moderação política é má conselheira. Está claro que não surtirá efeito apenas alardear as inúmeras realizações do governo Lula 3, na minha opinião, o melhor da era petista.
É hora de subir o tom do discurso e se pintar para a guerra política contra os padrinhos da Lava Jato 2.0. Por óbvio, isso não quer dizer que não devam ser fechadas as alianças ao Centro, que são necessárias para aumentar o poder de fogo da chapa governista no enfrentamento com os extremistas de direita.
Mas não podemos, ingenuamente, combater Chicago com Woodstock.
Lula, principalmente, mas também seus ministros e parlamentares dos partidos do segmento progressista, não têm outra saída fora do confronto mais assertivo e radicalizado, o que, vale registrar, já vem sendo feito nas redes sociais por parte expressiva dos militantes da esquerda.
Imagina a força que teria uma fala pública de Lula denunciando que os meios de comunicação brasileiros mentem descaradamente, com propósitos políticos, ao insistirem em vincular o governo ao escândalo do Banco Master?
Ou uma atuação coordenada nas redes, nas ruas e no parlamento desnudando o esquema, apontando a que tipo de interesse serve e o que está por trás da versão falsa dos fatos passada para a população?
É preciso pelo menos tentar dialogar com o brasileiro médio, aquele que faz comentários críticos ao governo nos botequins da vida, tendo como base o festival de empulhações a que assiste diariamente na televisão.
Para isso, é essencial uma decisão política inspirada na óbvia constatação de que não vivemos tempos de paz e normalidade.
Em certa ocasião, perguntado sobre a linha editorial do antigo Pasquim no embate com a ditadura militar, o jornalista Sérgio Cabral, um dos profissionais do jornal que marcou época na luta contra a censura, explicou: "Como vivíamos no radar da ditadura, adotamos a tática de atacar os apoiadores da ditadura'.
Atacar os que defendem a volta do bolsonarismo fascista ao governo da República é urgente.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



