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Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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Quanto vale a foto de Flávio com Trump

“Os irmãos não podem pagar o mico de mostrar uma foto só com Marco Rubio”, escreve Moisés Mendes

Flávio Bolsonaro (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)
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Flávio e Eduardo tiram uma foto com Trump. As redes sociais e os tios do zap espalham que o filho ungido tem o apoio do americano. O Datafolha faz uma pesquisa sobre o impacto da foto na campanha eleitoral. Os resultados da pesquisa se transformam em controvérsias infindáveis. E daí?

Daí que, depois do encontro na Casa Branca, se acontecer, teremos centenas de abordagens variadas, sempre com um componente: a lacração. Direita e esquerda competem hoje para saber quem lacra mais do que as manchetes da Folha com as suas pesquisas do Datafolha.

Cientistas, jornalistas, colunistas, influencers profissionais, palpiteiros amadores, todos querem saber quem é capaz de fazer as análises mais assertivas, conclusivas e inquestionáveis. Poucos fazem perguntas e todos têm opinião formada sobre tudo o que envolve a família.

Só a inteligência artificial recua, ao consagrar uma postura cada vez mais presente em suas respostas. Se for apertada por quem pergunta e se sentir confrontada com as próprias informações, a inteligência revisa o que disse e admite, pedindo desculpas: "você está certo".

A lacração encurralou até a inteligência artificial. Flávio e Eduardo tentarão lacrar com a foto no Salão Oval, assim como os bebedores de detergente tentaram lacrar bebendo sabão na cozinha. E se sabe agora que a maioria dos lacradores do Ypê com bactérias era robô, eram ypesistas fakes.

É um fenômeno que será intensificado até a eleição. Zema tenta lacrar com a marmita fake com quatro tipos de carne. Luciano Huck lacra falando para cúmplices da sabotagem ao Bolsa Família. E este texto vai, aos poucos, assumindo feições de lacração.

Porque será inútil e passará despercebido quem falar em voz baixa hoje. O que não significa que os gritões terão sucesso, mas que os moderados não têm chance alguma. O crescimento de Renan Santos nas pesquisas é parte desse fenômeno.

O Missão de Kim Kataguiri chega gritando para os jovens desamparados pela descoberta de que Flávio será sempre mais um dinheirista viciado em rachadinhas do que um cara antissistema. Nós é que somos disruptivos, gritam os missionários.

Por isso, a foto de Flávio com Trump só terá algum valor se produzir gritaria e certezas na extrema direita insegura com o filho que só pensa em rolos de milhões. Uma foto como essa que está sendo esperada não pode acionar dúvidas sobre o que o fascismo pode ganhar ou perder com o americanismo da família e o apoio do gângster da Casa Branca.

A imagem terá que transmitir uma mensagem certeira, de que Trump ama os Bolsonaros e apenas finge gostar de Lula. E sugerir que a extrema direita americana está pronta para interferir na eleição brasileira a mando de Trump e em nome das liberdades.

Poderá dar errado se os irmãos saírem divulgando uma foto com Marco Rubio. Nem o pai deles sabe quem é Marco Rubio. A única foto possível é a dos dois com Trump, e só se Trump estiver sorrindo.

Lembrem-se de que Lula fez Trump sorrir. Mas Flávio não pode, de jeito nenhum, aparecer na foto dando aquela gargalhada nervosa.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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