Agro tem reunião para reavaliar apoio a Flávio Bolsonaro
CNA reúne lideranças do agronegócio para discutir eleições de 2026 e alternativas diante do desgaste de Flávio Bolsonaro após caso Dark Horse
247 - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) convocou para a próxima quarta-feira (27) uma reunião com presidentes de federações estaduais do setor para discutir o cenário eleitoral de 2026 e o posicionamento político do agronegócio. A informação foi publicada inicialmente pela CNN Brasil.
Embora o encontro já estivesse previsto antes da repercussão do chamado caso Master, o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no episódio ampliou a preocupação entre lideranças do setor. Até então, o parlamentar era considerado o principal nome apoiado pelo agronegócio na disputa presidencial.
Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, cresce entre representantes do agro a percepção de que a confiança em Flávio Bolsonaro foi abalada. Uma liderança influente do setor afirmou que a recuperação da credibilidade do senador tende a ser difícil após a crise.
Outra fonte relatou que, nos bastidores, já havia expectativa de que novas denúncias poderiam atingir o senador devido ao histórico de investigações envolvendo seu nome. Ainda assim, parte significativa do setor via Flávio Bolsonaro como o candidato mais competitivo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que enfrenta forte resistência entre segmentos do agronegócio.
A reunião da CNA deve discutir estratégias para que o setor se organize politicamente e fortaleça candidaturas alinhadas às pautas do agronegócio. Entre os temas centrais está a busca por possíveis alternativas ao nome de Flávio Bolsonaro.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), é visto como uma liderança tradicional do setor, mas interlocutores avaliam que sua candidatura enfrenta dificuldades para ganhar tração nacional. Já os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Renan Santos, da Missão, aparecem como nomes que estariam absorvendo parte do eleitorado bolsonarista após o desgaste do senador.
Ainda assim, há ressalvas dentro do agro. Zema é considerado um nome competitivo, mas integrantes do setor avaliam que declarações do governador mineiro geraram desgaste no Nordeste. Sobre Renan Santos, a percepção entre lideranças é de que sua eventual candidatura representaria uma “aventura” eleitoral.
Outra possibilidade debatida nos bastidores seria a formação de uma chapa com a ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No entanto, a hipótese é considerada improvável diante da resistência do ex-presidente Jair Bolsonaro à composição.
Caso nenhuma candidatura alternativa consiga se consolidar, a tendência apontada por integrantes do setor é de manutenção do apoio a Flávio Bolsonaro, ainda que de forma reservada.
Além da corrida presidencial, a CNA também pretende discutir estratégias para as eleições legislativas e o fortalecimento da bancada ruralista no Congresso Nacional a partir de 2027.
Apesar de a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reunir cerca de 350 parlamentares — mais da metade do Congresso —, lideranças do setor avaliam que apenas entre 30 e 50 deputados e senadores mantêm alinhamento considerado firme com as pautas do agronegócio.
Um dos pontos de insatisfação é o apoio de integrantes da FPA à proposta de emenda constitucional que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, medida rejeitada por representantes do setor sob o argumento de que pode afetar a dinâmica laboral no campo.
A CNA também pretende alinhar com federações estaduais e sindicatos rurais formas de ampliar o apoio político a candidatos comprometidos com as demandas do agronegócio. Segundo a entidade, algumas federações já atuam de maneira mais intensa nesse processo, enquanto outras ainda têm participação limitada.
Durante a reunião, o advogado da CNA, Carlos Bastide, fará uma apresentação sobre os limites legais da atuação de sindicatos e federações nas campanhas eleitorais, com foco no cumprimento da legislação eleitoral vigente.



