Ricardo Mezavila avatar

Ricardo Mezavila

Escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro.

478 artigos

HOME > blog

Quem é tocaiado em Minas, ganha o Brasil

"O resultado de tantos erros foi uma queda de 6 pontos nas pesquisas em menos de uma semana"

Flávio Bolsonaro (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

As estratégias do senador Flávio Bolsonaro para alavancar sua candidatura têm dado errado: em vez de crescer, ele só tem ajudado seu adversário a ganhar força. Com o cenário cada vez pior, muita gente compara a situação com o que aconteceu com seu pai em 2018, quando Jair Bolsonaro foi esfaqueado em Juiz de Fora — um fato que mudou completamente o rumo da eleição.

Hoje, a pergunta que não quer calar é: será que veremos algo parecido desta vez? Nos últimos dias, espalhou-se a notícia de que facções como o PCC e o CV estariam armando uma emboscada contra Flávio em Minas Gerais. Chegaram até a envolver o nome de um líder de torcida do Atlético Mineiro na história.

Até agora, não há nenhuma prova de que isso seja verdade, mas o boato já está forte, e não é por acaso: todo mundo sabe a regra de ouro da política brasileira — quem ganha em Minas, ganha o Brasil. Desde 1950, só Getúlio Vargas perdeu no estado e venceu a eleição; todos os outros presidentes eleitos levaram a vantagem por lá. Por isso, qualquer coisa que aconteça em Minas vira assunto nacional imediatamente.

Um dos maiores erros de Flávio foi a viagem aos Estados Unidos. O objetivo era simples: tirar uma foto com Donald Trump para parecer forte e ter apoio internacional. Mas deu tudo errado. Ao voltar, ele disse publicamente que pediu a Trump para classificar grupos de traficantes brasileiros como organizações terroristas. Aí começou o problema: seus seguidores acharam ótimo, pensando que isso ia acabar com o crime, mas ninguém contou a eles o que realmente significa essa medida.

Quando os EUA colocam um grupo na lista de terroristas, o objetivo deixa de ser só prender bandidos e passa a ser tratar o assunto como ameaça à segurança deles. O resultado? Congelam o dinheiro de qualquer um que tenha contato com o grupo, podem mandar agentes e forças especiais agir aqui dentro sem pedir permissão, bagunçam toda a nossa economia e ainda mexem diretamente na nossa soberania. O que parecia solução, na verdade é um risco enorme para o Brasil.

Para piorar, no mesmo dia em que Trump postou a foto chamando Flávio de "jovem inteligente que ama o Brasil", ele anunciou um aumento de 25% nas taxas de produtos brasileiros vendidos por lá. Nas redes, criaram o termo "Tariflávio", ironizando que a viagem só serviu para trazer prejuízo. Flávio tentou explicar que não teve nada a ver, mas o estrago já estava feito.

Como se não bastasse, Eduardo Bolsonaro deu mais um tiro no pé. Em um vídeo, ele disse que os EUA usam o sistema Zelle, parecido com o nosso Pix, e que num governo de Flávio poderiam negociar o uso dessa tecnologia junto com a exploração de terras raras e manganês — riquezas naturais do Brasil.

A reação foi imediata: críticos disseram que isso era entregar o nosso dinheiro e os nossos recursos para os americanos, um verdadeiro entreguismo. Já os defensores falaram que era só parceria comercial. De qualquer forma, a imagem de Flávio ficou ainda pior.

O resultado de tantos erros foi uma queda de 6 pontos nas pesquisas em menos de uma semana. A situação ficou ainda mais estranha quando o TSE, comandado pelo ministro Kássio Nunes — indicado por Jair Bolsonaro — mandou tirar uma dessas pesquisas do ar. Uns dizem que foi censura para esconder o resultado ruim; outros, que foi por erro nos dados. De qualquer jeito, só aumentou a confusão.

Com tantos problemas, desgastes e uma campanha que não anda, uma coisa é certa: todo mundo está de olho. E como Minas Gerais é o estado que decide a eleição, qualquer evento, ameaça ou situação inesperada que aconteça por lá vai ser observada com atenção redobrada. O cenário está armado, e o alerta é necessário.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Artigos Relacionados