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Oliveiros Marques

Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas

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Quem sabe uma vitória em São Paulo

Tarcísio se beneficia da polarização em São Paulo, enquanto desistências no centro abrem espaço para Haddad buscar uma chapa mais competitiva

Fernando Haddad, Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet (Foto: Gerada por IA)
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O deputado Kim Kataguiri, do partido Missão, desistiu da candidatura ao governo de São Paulo para concorrer à reeleição na Câmara dos Deputados. Ele é hoje o único deputado federal do partido com condições objetivas de se reeleger, e a decisão revela um cálculo correto: manter viva a sigla no Congresso vale mais do que uma aventura majoritária sem viabilidade imediata.

Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André e do PSDB, fez um movimento parecido. Desistiu da pré-candidatura ao governo e migrou para a disputa a deputado federal. Mas, ao contrário de Kim, sua decisão parece refletir uma visão de curto prazo. O PSDB, apesar da desidratação das últimas eleições, ainda preserva uma memória relativamente positiva entre o eleitorado paulista — um capital político que poderia ser usado para reconstruir o partido no estado. Ao abandonar a cabeça de chapa, Serra também complica a vida da própria federação com o Cidadania: sem candidatura majoritária para servir como puxadora de votos, pode ficar mais difícil garantir as duas vagas pretendidas na proporcional, o que deve jogá-lo numa disputa quase fratricida com o atual parlamentar federal do Cidadania.

O resultado prático desses dois movimentos é empurrar a eleição ao governo do maior estado do país para uma definição em primeiro turno — e a vantagem, nesse cenário, é claramente do incumbente Tarcísio de Freitas. Mesmo com um governo de poucas marcas relevantes, Tarcísio segue surfando no combustível mais eficiente da política brasileira recente: a polarização. Ela garante que uma parcela significativa do eleitorado paulista esteja disposta a votar até em um poste para não votar em um candidato do PT.

Do lado petista, a candidatura de Fernando Haddad é consistente e está em crescimento, mas ainda não ameaça a vitória de Tarcísio. Há, porém, um debate interno em aberto: qual papel caberia ao ex-governador e ex-ministro Márcio França na disputa majoritária? Há quem defenda que ele deveria concorrer ao governo. Penso que seria um erro estratégico. Mais do que tirar votos de Tarcísio, essa candidatura reduziria o alcance de Haddad, retirando do tabuleiro um ator relevante para a campanha do ex-ministro da Fazenda e da Educação: o vice-presidente e ex-governador Geraldo Alckmin.

Ainda assim, não é insensato reconhecer a demanda apresentada pelo PSB. Não são poucos os eleitores paulistas que, em outubro, votarão em Geraldo 13 — ou seja, votarão em Lula porque Alckmin é seu vice. É uma base real que precisa de algum canal de representação e de reconhecimento.

Por isso, vale a pena pensar em outra engenharia política: Márcio França e Marina Silva disputando o Senado, com Haddad como cabeça de chapa ao governo e Simone Tebet como vice. Essa configuração poderia potencializar o diálogo da chapa com o interior do estado, equilibrando a disputa com Tarcísio e, quem sabe, abrindo um caminho real para a vitória.

Não tenho, evidentemente, a responsabilidade de tomar essa decisão — o que torna fácil especular e imaginar arranjos. A vida concreta, a realpolitik, contudo, segue por seus próprios e nem sempre explicáveis senderos. Mas, em política, antecipar cenários também é uma forma de influenciá-los.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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