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Jeferson Miola

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Sionismo, equiparado ao racismo pela ONU em 1975, se opõe a classificar a escravização como maior crime contra a humanidade

Resolução da ONU que reconhece a escravização de africanos como o mais grave crime contra a humanidade enfrenta oposição de Israel, EUA e Argentina

Bandeira de Israel em assentamento na Cisjordânia ocupada (Foto: REUTERS/Ronen Zvulun)

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira (25) resolução histórica que “define a escravização de africanos como o mais grave crime contra a humanidade”.

O placar final da votação foi de 123 a favor; 52 abstenções, inclusive de Portugal, Holanda e Reino Unido, países que mais cometeram o crime de escravização, tráfico e comércio de africanos; e 3 votos contra a resolução.

Não surpreende que o governo nazi-sionista de Israel, ao lado dos governos racistas dos EUA e da Argentina, tenha sido um dos únicos três países a se oporem à resolução da ONU.

O sionismo é uma ideologia colonialista, segregacionista, racista e supremacista. O Holocausto em Gaza é a expressão contemporânea mais cruel dessa natureza do sionismo.

Foi notória a identidade e a cooperação militar, financeira e política do sionismo com o regime de apartheid da África do Sul, o que motivou a aprovação, na Assembleia Geral da ONU de 10 de novembro de 1975, da Resolução 3379, que dispôs sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial: o sionismo como racismo.

A resolução, lamentavelmente, foi revogada pela ONU em 16 de dezembro de 1991, diante da chantagem de Israel.

O regime sionista condicionou a participação na Conferência de Madri, que iniciaria nova tentativa para colocar fim “ao conflito árabe-israelense”, à revogação da mesma.

Assim dispôs a Resolução 3379 de 10/11/1975:

“A Assembleia Geral,

Recordando a sua resolução 1904 (XVIII), de 20 de novembro de 1963, que proclama a Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, e, em particular, a sua afirmação de que “qualquer doutrina de diferenciação ou superioridade racial é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa” e a sua expressão de alarme perante “as manifestações de discriminação racial ainda evidentes em algumas áreas do mundo, algumas das quais são impostas por certos governos por meio de medidas legislativas, administrativas ou outras”,

Recordando também que, na sua resolução 3151 G (XXVIII), de 14 de dezembro de 1973, a Assembleia Geral condenou, entre outras coisas, a aliança nefasta entre [o colonialismo português], o racismo sul-africano, o sionismo [e o imperialismo israelense],

Tomando nota da Declaração do México sobre a Igualdade das Mulheres e sua Contribuição para o Desenvolvimento e a Paz,(1) proclamada pela Conferência Mundial do Ano Internacional da Mulher, realizada na Cidade do México de 19 de junho a 2 de julho de 1975, que promulgou o princípio de que “a cooperação internacional e a paz exigem a conquista da libertação e independência nacional, a eliminação do colonialismo e do neocolonialismo, da ocupação estrangeira, do sionismo, do apartheid e da discriminação racial em todas as suas formas, bem como o reconhecimento da dignidade dos povos e do seu direito à autodeterminação”,

Tomando nota também da resolução 77 (XII), adotada pela Assembleia de Chefes de Estado e de Governo da Organização da Unidade Africana na sua décima segunda sessão ordinária,(2) realizada em Kampala de 28 de julho a 1 de agosto de 1975, que considerou “que o regime racista na Palestina ocupada e os regimes racistas no Zimbabué e na África do Sul têm uma origem imperialista comum, formando um todo e tendo a mesma estrutura racista e estando organicamente ligados na sua política destinada à repressão da dignidade e integridade do ser humano”,

Tomando nota também da Declaração Política e Estratégia para Reforçar a Paz e a Segurança Internacionais e para Intensificar a Solidariedade e a Assistência Mútua entre os Países Não Alinhados,(3) adotada na Conferência de Ministros dos Negócios Estrangeiros dos Países Não Alinhados, realizada em Lima, de 25 a 30 de agosto de 1975, que condenou veementemente o sionismo como uma ameaça à paz e à segurança mundiais e apelou a todos os países para que se opusessem a esta ideologia racista e imperialista,

Determina que o sionismo é uma forma de racismo e discriminação racial".

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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