HOME > Mundo

Guerra de EUA e Israel contra Irã chega ao 27º dia com escalada

Conflito se intensifica com novos ataques, ameaças de Donald Trump e impacto global sobre energia e alimentos

Irã ataca Tel Aviv (Foto: Reuters)

247 - A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou no 27º dia com sinais claros de intensificação militar e agravamento das tensões diplomáticas. Relatos indicam aumento significativo no número e na intensidade dos ataques, enquanto as perspectivas de negociação seguem incertas em meio a declarações contraditórias entre Washington e Teerã.

De acordo com a rede Al Jazeera, os bombardeios conjuntos de forças americanas e israelenses vêm crescendo, ao mesmo tempo em que o Irã nega qualquer negociação, apesar das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirma que líderes iranianos desejam um acordo.

Escalada militar e vítimas civis

Os ataques realizados por EUA e Israel atingiram diferentes regiões do território iraniano, incluindo a área central de Isfahan, descrita como alvo de uma “onda de ataques generalizados”. Segundo a mídia iraniana, um bombardeio recente em uma área residencial no condado de Shiraz resultou na morte de dois adolescentes.

Além disso, um alto funcionário norte-americano afirmou que cerca de dois terços das instalações de produção de mísseis e drones do Irã já foram atingidas. Em resposta, Teerã alertou para a possibilidade de tentativa de ocupação de uma de suas ilhas por forças inimigas com apoio de um país da região não identificado.

Impasse nas negociações

Enquanto Donald Trump sustenta que há negociações em curso, o governo iraniano mantém posição contrária. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o país continuará sua estratégia de resistência e não pretende negociar.

Para o ex-funcionário do Pentágono Jason Campbell, as ameaças americanas fazem parte de uma estratégia de pressão. Ele avaliou que a retórica de Washington tem caráter mais simbólico do que indicativo de uma nova escalada imediata.

Conflito se expande no Golfo e no Levante

A guerra já apresenta efeitos diretos em diversos países do Golfo. No Kuwait, autoridades prenderam seis pessoas suspeitas de ligação com o Hezbollah, acusadas de planejar assassinatos. Na Arábia Saudita, sistemas de defesa interceptaram e destruíram dezenas de drones direcionados à província oriental, região estratégica para a produção de petróleo.

No Bahrein, um incêndio em uma instalação foi atribuído pelo governo local a uma “agressão iraniana”. Já os Emirados Árabes Unidos informaram que seus sistemas de defesa aérea seguem interceptando mísseis e drones provenientes do Irã.

Israel também confirmou a detecção de novas ondas de mísseis iranianos, enquanto o Hezbollah intensificou ataques com foguetes contra o norte do país. No sul do Líbano, tropas israelenses atravessaram a fronteira e entraram em confronto direto com combatentes do grupo.

O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, declarou que a organização está em guerra contra Estados Unidos e Israel e fará “tudo o que puder para defender o território libanês”.

Pressão sobre rotas estratégicas e comércio global

O Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte global de petróleo, permanece praticamente fechado, ampliando as preocupações com o abastecimento energético. Analistas apontam que o Irã pode utilizar sua posição estratégica para influenciar eventuais negociações.

O parlamento iraniano avalia ainda um projeto de lei para cobrar pedágios de navios e petroleiros que cruzarem o estreito, tratando a via como um corredor de trânsito convencional.

Impacto global: energia e alimentos

A continuidade da guerra já pressiona os mercados internacionais. Os preços do petróleo seguem em alta diante da redução das expectativas de desescalada.

Além disso, há preocupação crescente com a segurança alimentar global. 

Artigos Relacionados