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Paulo Gala

Paulo Gala é economista e professor da FGV

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Soft landing à brasileira? IBC-Br mostra economia perdendo fôlego, ainda com apoio das commodities

Com o agro sustentando os números, a economia brasileira desacelera e expõe a fragilidade de um crescimento ainda dependente das commodities

Colheita de soja no Paraná (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

Foi divulgado hoje o IBC-Br, a proxy do PIB calculada pelo Banco Central, e o dado reforça o diagnóstico que temos discutido de desaceleração da economia brasileira no final do ano.

Na comparação de dezembro com novembro, o índice registrou queda de 0,18%. O resultado foi melhor do que a expectativa do mercado, que apontava para retração de 0,5%, mas, ainda assim, confirma um enfraquecimento da atividade no quarto trimestre.

O principal destaque continua sendo a agropecuária, com alta de 2,26% no mês. A indústria também apresentou leve avanço, de 0,32%, enquanto os serviços — que representam a maior parte da economia brasileira — recuaram 0,26%. O número de novembro, por sua vez, foi revisado para baixo: de +0,68% para +0,59%.

O conjunto de dados consolida a leitura de um quarto trimestre mais fraco, em linha com a desaceleração que já vínhamos observando nos indicadores de varejo, serviços e produção industrial.

No acumulado de 2025, o IBC-Br fechou com crescimento de 2,45%, número muito próximo do que deve ser o resultado oficial do PIB, que será divulgado pelo IBGE nos próximos dias. Novamente, o grande destaque foi a agropecuária, com expansão expressiva de 13,05% no ano.

A indústria cresceu 1,45%, os serviços avançaram 2,06%, e o IBC-Br excluindo a agropecuária mostrou alta de 1,80%. Esse dado ajuda a dimensionar o peso do agro: embora represente cerca de 7% do PIB, sua forte expansão teve impacto relevante sobre o crescimento agregado.

No quarto trimestre, houve alta de 0,42% frente ao trimestre anterior e avanço de 1,69% na comparação com o mesmo período do ano anterior. São números compatíveis com um cenário de desaceleração gradual — algo próximo de um “soft landing”.

É importante lembrar que o IBC-Br é uma estimativa do Banco Central construída a partir de indicadores como fluxo de veículos, consumo de energia elétrica, produção de cimento e outros dados de alta frequência. O PIB oficial do IBGE é mais abrangente, mas historicamente há boa aderência entre as duas séries.

Dentro da indústria, vale destacar que o desempenho positivo tem sido puxado sobretudo pela indústria extrativa, especialmente petróleo e mineração. A manufatura, por outro lado, mostrou sinais de fraqueza em dezembro, reforçando o padrão recorrente da economia brasileira: crescimento impulsionado por commodities, com desempenho mais modesto da indústria de transformação.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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