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César Fonseca

Repórter de política e economia, editor do site Independência Sul Americana

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Terrorismo político da diplomacia da facada trumpista em Lula

Não se tratou de um anúncio de última hora, mas de algo antecipadamente preparado por Rúbio

Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Lula (Foto: Reprodução/X/@FlavioBolsonaro | Ricardo Stuckert/PR)
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A perplexidade do governo brasileiro continua total diante do que aconteceu semana passada na agressiva ação de política externa do bolsonarismo fascista de agir em sintonia com o Secretário de Estado, Marco Rúbio, quanto a considerar o PCC e o CV organizações terroristas, e não criminosas, de modo a justificar possível intervencionismo imperialista no Brasil.

Ficou claro: a manobra combinada de Rúbio com Flávio Bolsonaro, no sentido de o Secretário de Estado americano abrir contato rápido, com o presidente Donald Trump, do candidato brasileiro ultradireitista em oposição ao social democrata Lula, significou desfecho surpreendente de armação política que já vinha faz tempo costurada pela Casa Branca.

Não se tratou de um anúncio de última hora, mas de algo antecipadamente preparado por Rúbio, como chefe da diplomacia americana, usando aliado ideológico brasileiro, Flávio Bolsonaro, para causar impacto político.

Foi um lance típico de facada diplomática pelas costas, no governo Lula, que causou sensação trepidante e constrangedora no experimentado Itamarati, treinado em negociações políticas de longo curso.

A perplexidade ficou explícita na reação do presidente, que aproveitou o encontro político, no dia seguinte, no Rio de Janeiro, para fazer acusações violentas contra o bolsonarismo fascista, que comemorava o feito diplomático externo, nos Estados Unidos, como triunfo extraordinário da ultradireita.

O Ministério das Relações Exteriores preparou nota oficial dura para falar do encontro Trump-Flávio.

Havia, na verdade, ocorrido o inusual, ou seja, gesto oposto à tradicional postura de negociação adotada pela diplomacia brasileira, em sintonia com a radicalização extemporânea do discurso lulista sobre o episódio causador de intensa inquietação na cúpula governamental.

Ficou claro que o mundo diplomático brasileiro não estava esperando pelo gesto do governo americano anunciando decisão impactante na relação dos dois países diante de encontro de Trump com representantes da oposição ao presidente Lula, e não em comunicado ao próprio governo nacional.

IMPACTO INTERNACIONAL

Flávio, ao lado do presidente Trump, em posição de subordinação revelada em foto sob suspeita de obra de inteligência artificial, esteve em encontro que não teria durado mais de 10 minutos, nas cogitações vazadas da própria Casa Branca, segundo se anunciou, causando repercussão imediata na imprensa internacional.

Tudo soou como fato adredemente preparado, configurando ponto para a ultradireita brasileira nos Estados Unidos.

Na sequência, Flávio Bolsonaro, na Casa Branca, teria encontros mais prolongados com o Secretário de Estado e outros integrantes da assessoria do presidente, para completar o teatro político, cujo desfecho a direita e a ultradireita tupiniquim comemoraram efusivamente.

Comportam inúmeras apreciações políticas a ação diplomática da direita radical bolsonarista, absorvida positivamente pelo presidente Trump, que não se manifestou sobre o encontro com o candidato do PL.

O silêncio do chefe da Casa Branca denotou conformidade dele para com a articulação presumivelmente preparada pelo Secretário de Estado.

ENCONTRO COM SUSPEITO DE RELAÇÃO COM O TERRORISMO

Primeiramente, é de se destacar que o presidente dos Estados Unidos, antes de receber em audiência um aliado político de ultra direita, encontrou com alguém que está sendo investigado como notório corrupto pela Polícia Federal.

O crime maior de Flávio, por ora, enquanto outras acusações não vêm à tona, é o de ter se relacionado com o maior estelionatário financeiro da história do Brasil, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso na PF, para pedir dinheiro, cerca de R$ 130 milhões, destinados à realização do filme Dark Horse(O Azarão), sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Casa Branca, também, não cuidou de observar/investigar que, ao acusar o PCC e o CV de organizações terroristas – e não meramente criminosas – estava diante de alguém aliado de integrante do CV, no Rio de Janeiro, em eventos, amplamente divulgados na imprensa.

Trump e Marco Rúbio teriam passado batido quanto a receber, na Casa Branca, aliado de milicianos, no Rio de Janeiro, praticantes do terror urbano, na ocupação de territórios para impor práticas de banditismo e de atentado às instituições democráticas?

Ou seja, teve livre acesso ao Salão Oval aliado dos atores politicamente terroristas que o governo americano busca combater!

O governo Trump, ao não tomar as precauções necessárias em anunciar medida punitiva ao CV e ao PCC, acusados por ele de organizações terroristas, não praticou, ele mesmo, um ato diplomático terrorista, recebendo, na Casa Branca, um aliado do terror, como o candidato do PL, Flávio Bolsonaro?

CONTRADIÇÃO IMPERIALISTA FLAGRANTE 

Trump e Marco Rúbio, portanto, caíram em flagrante contradição: aceitaram o diálogo com suspeito de alianças com organizações terroristas a pretexto de condenar indiretamente o governo Lula, que considera o PCC e o CV apenas organizações criminosas.

Nesse sentido, o governo americano, se não se empenhar, agora, em colocar sob suspeita Flávio Bolsonaro como candidato pretensamente apoiado por organização terrorista, como se suspeita, diante de evidências concretas, estará apoiando, abertamente, o terrorismo político eleitoral encarnado no bolsonarismo fascista.

Lula, por sua vez, depois de externar todo a sua indignação, acusando os filhos de Bolsonaro como entreguistas, verdadeiros herdeiros de Silvério dos Reis, por tentar vender a Pátria por 30 dinheiros em Washington, colocou-se como estadista, no sentido de dar prosseguimento às relações com o governo Trump.

O titular do Planalto, apesar da escorrega política trumpista, mostra-se predisposto a seguir com relações diplomáticas com a Casa Branca na linha da negociação entre duas nações soberanas.

O presidente brasileiro deixou, em segundo plano, aparentemente, pelo menos, o que se configurou, semana passada, como diplomacia da facada nas costas, empreendida pela Secretaria de Estado dos Estados Unidos.

Houve sintonia entre Trump e Rúbio nessa tormentosa ação diplomática americana, na qual o bolsonarismo se revelou massa de manobra dos interesses americanos contra o Brasil?

Trump, aparentemente, revelou-se agente passivo, ao não se externar publicamente, além de se deixar fotografar ao lado de Flávio Bolsonaro, enquanto todas as suspeitas recaem sobre o sujeito oculto da armação, Marco Rúbio, que teria engendrado a diplomacia da facada.

Ela, na verdade, tinha sido armada há tempos com para colocar organizações criminosas, como o PCC e CV, como organizações terroristas, de modo a viabilizar ações americanas contra a soberania nacional.

DIPLOMACIA IMPERIALISTA ATERRORIZA ECONOMIA

O fato é que o mal que o governo brasileiro temia já está feito: PCC e CV, para alegria dos bolsonaristas, são considerados, a partir de agora, pela Casa Branca, organizações terroristas, alvo, portanto, da legislação extraterritorial americana, capaz de interferir nos assuntos internos brasileiros, com capacidade de desestabilizar a economia.

Os reflexos sobre o sistema econômico como um todo são inevitáveis, especialmente, sobre o sistema financeiro, acusado, pela própria Polícia Federal, de relações de corrupção com o PCC e CV, organizações terroristas, alcançáveis, portanto, pela legislação extraterritorial americana.

A diplomacia brasileira, portanto, levou um choque, e a Faria Lima está em polvorosa.

Terá de ser mais esperta, para além da sua competente vocação para a negociação bem intencionada, com os Estados Unidos: é fundamental, de agora em diante, prestar mais atenção no perigo contido no alerta artístico, como Gilberto Gil, em “Domingo no parque”, anuncia como o terror do confronto com o inimigo oculto: “Olha a faca!”.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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