Toffoli sob suspeita da PF
Agora não é só por atrasar investigações
Os repórteres Débora Bergamasco e Matheus Teixeira, da CNN Brasil informaram, agora à tarde, que a PF estuda pedir a quebra de sigilo da empresa Maridt, aquela que vendeu quotas do resort Tayayá ao fundo ligado ao Banco Master, e da qual o ministro Dias Toffoli era (ou é) sócio oculto por suspeitar de corrupção passiva de Toffoli.
Mesmo sendo apenas uma suspeita, é a suspeita mais grave já associada a um ministro do STF desde que eu sou jornalista. Ou seja: desde 1974.
Os indícios que fundamentam a suspeita são:
1) os irmãos venderam as quotas do resort em 2021, por R$6,6 milhões, mas a PF encontrou, num celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, mensagem de 2025 em que ele dá uma bronca em seu cunhado, e dono do fundo que comprou as quotas dos irmãos de Toffoli, por não ter pago, supostamente por elas, e diz que o atraso está dando “um puta de um problema”;
2) na conversa que consta da investigação, a soma que o cunhado deve transferir à Maridt é de R$ 35 milhões e não R$ 6,6 milhões;
3) a PF apurou que entre 2023 e 2024 Daniel Vorcaro e Dias Toffoli se encontraram pessoalmente em ao menos dez ocasiões;
4) enquanto foi relator do Caso Master, Toffoli omitiu o fato de ser sócio dos irmãos e determinou sigilo que implicou no atraso das investigações.
Toffoli já foi acusado de várias lambanças - inclusive por viajar em companhia de um advogado do Banco Master - mas nada nem próximo de uma suspeita como essa.
Também não há motivo para desconfiar que a PF está conspirando contra ele ou inventando falsas acusações.
Nem que os repórteres estejam a serviço dessa “conspiração”.
Nem que Daniel Vorcaro e seu cunhado teriam interesse em inventar mentiras sobre Toffoli.
Feitas essas ressalvas, cabe apenas o velho clichê: o futuro a Deus pertence.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



