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Eduardo Guimarães

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Trump atacou para cancelar eleição nos EUA

Ataque externo surge como pretexto político em meio à baixa popularidade e ao temor de derrota nas eleições de meio de mandato

O presidente dos EUA, Donald Trump - 03/12/2025 (Foto: REUTERS/Brian Snyder)

Explodem nas redes sociais dos EUA acusações de que Trump atacou a Venezuela para adiar a eleição de novembro, que ele sabe que vai perder.

Em primeiro lugar, com aprovação média de cerca de 37% nas pesquisas de dezembro de 2025 e uma enorme rejeição média de 57%, Trump corre risco significativo de perder o controle da Câmara e do Senado nas eleições midterms de novembro deste ano.

Pesquisas de dezembro de 2025 confirmam aprovação média de 36–41% (ex.: Gallup 36%, Emerson 41%, AP-NORC 36%, Quinnipiac 38%), com desaprovação de 54–61%. A média agregada (ex.: Nate Silver's Silver Bulletin) é de 39% de aprovação e 56% de desaprovação, resultando em saldo negativo de 13 a 17 pontos.

Além disso, as pesquisas pré-invasão (nov./dez. 2025) mostram oposição consistente da população dos EUA à ação de sábado na Venezuela, de 60–70%.

Exemplos: Quinnipiac, 63% contra; YouGov, 66% contra a invasão; CBS/YouGov, 70% contra. No pós-invasão, reações iniciais em entrevistas e redes sociais indicam continuidade, com apenas 15–25% de apoio geral, embora republicanos sejam mais favoráveis (30–45%). Analistas preveem piora na popularidade de Trump se houver escalada.

Então, chegamos às projeções históricas sobre as midterms, em novembro. Pesquisas indicam perdas médias de 30–40 assentos para o partido do presidente devido à sua baixa aprovação, o que potencialmente inverteria o controle das duas Casas do Congresso.

O pior resultado disso seria um rápido impeachment de Trump.

Porém, o presidente tem três instrumentos hipotéticos para adiar a eleição de modo a evitar uma derrota eleitoral em novembro (embora nenhum deles permita ação unilateral sem aprovação congressional — tentativas seriam contestadas judicialmente):

  1. Declaração de Emergência Nacional (National Emergency Powers)
  2. Autoridade Executiva sobre Datas Eleitorais (via lei federal)
  3. Poderes de Guerra ou Autorização Militar (War Powers Resolution)

Trump tem maioria suficiente na Câmara para aprovar o adiamento das eleições de meio de mandato em novembro deste ano. Na Câmara, precisa de 218 votos e tem 220.

No Senado, não tem a maioria necessária de 60 votos, pois tem apenas 53, mas pode usar sua maioria naquela Casa para adotar uma Nuclear Option, alterando a interpretação das regras e fazendo com que a maioria necessária caia para apenas 51 votos.

Isso seria politicamente explosivo e, para alguns, pouco provável devido a divisões internas no GOP (Partido Republicano), além dos riscos de retaliação democrata futura. No entanto, Trump não é conhecido por temer a adoção de “soluções” extremas.

Além disso, ele já está no inferno de uma baixa aprovação nas pesquisas, que indica grande derrota em novembro. Então...

Nesse contexto, a ação militar na Venezuela, apesar de desagradar a maioria dos americanos, cria uma “justificativa” para um Trump superpoderoso emascular o Congresso e obter superpoderes para materializar a autocracia que muitos já vislumbram.

Essa teoria começa a ser difundida após o ataque à Venezuela, apesar de especulativa. Analistas veem a invasão com potencial para piorar a popularidade de Trump e garantir derrota nas midterms. Eis a explicação para correr risco tão alto ao atacar a Venezuela.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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