Trump atacou para cancelar eleição nos EUA
Ataque externo surge como pretexto político em meio à baixa popularidade e ao temor de derrota nas eleições de meio de mandato
Explodem nas redes sociais dos EUA acusações de que Trump atacou a Venezuela para adiar a eleição de novembro, que ele sabe que vai perder.
Em primeiro lugar, com aprovação média de cerca de 37% nas pesquisas de dezembro de 2025 e uma enorme rejeição média de 57%, Trump corre risco significativo de perder o controle da Câmara e do Senado nas eleições midterms de novembro deste ano.
Pesquisas de dezembro de 2025 confirmam aprovação média de 36–41% (ex.: Gallup 36%, Emerson 41%, AP-NORC 36%, Quinnipiac 38%), com desaprovação de 54–61%. A média agregada (ex.: Nate Silver's Silver Bulletin) é de 39% de aprovação e 56% de desaprovação, resultando em saldo negativo de 13 a 17 pontos.
Além disso, as pesquisas pré-invasão (nov./dez. 2025) mostram oposição consistente da população dos EUA à ação de sábado na Venezuela, de 60–70%.
Exemplos: Quinnipiac, 63% contra; YouGov, 66% contra a invasão; CBS/YouGov, 70% contra. No pós-invasão, reações iniciais em entrevistas e redes sociais indicam continuidade, com apenas 15–25% de apoio geral, embora republicanos sejam mais favoráveis (30–45%). Analistas preveem piora na popularidade de Trump se houver escalada.
Então, chegamos às projeções históricas sobre as midterms, em novembro. Pesquisas indicam perdas médias de 30–40 assentos para o partido do presidente devido à sua baixa aprovação, o que potencialmente inverteria o controle das duas Casas do Congresso.
O pior resultado disso seria um rápido impeachment de Trump.
Porém, o presidente tem três instrumentos hipotéticos para adiar a eleição de modo a evitar uma derrota eleitoral em novembro (embora nenhum deles permita ação unilateral sem aprovação congressional — tentativas seriam contestadas judicialmente):
- Declaração de Emergência Nacional (National Emergency Powers)
- Autoridade Executiva sobre Datas Eleitorais (via lei federal)
- Poderes de Guerra ou Autorização Militar (War Powers Resolution)
Trump tem maioria suficiente na Câmara para aprovar o adiamento das eleições de meio de mandato em novembro deste ano. Na Câmara, precisa de 218 votos e tem 220.
No Senado, não tem a maioria necessária de 60 votos, pois tem apenas 53, mas pode usar sua maioria naquela Casa para adotar uma Nuclear Option, alterando a interpretação das regras e fazendo com que a maioria necessária caia para apenas 51 votos.
Isso seria politicamente explosivo e, para alguns, pouco provável devido a divisões internas no GOP (Partido Republicano), além dos riscos de retaliação democrata futura. No entanto, Trump não é conhecido por temer a adoção de “soluções” extremas.
Além disso, ele já está no inferno de uma baixa aprovação nas pesquisas, que indica grande derrota em novembro. Então...
Nesse contexto, a ação militar na Venezuela, apesar de desagradar a maioria dos americanos, cria uma “justificativa” para um Trump superpoderoso emascular o Congresso e obter superpoderes para materializar a autocracia que muitos já vislumbram.
Essa teoria começa a ser difundida após o ataque à Venezuela, apesar de especulativa. Analistas veem a invasão com potencial para piorar a popularidade de Trump e garantir derrota nas midterms. Eis a explicação para correr risco tão alto ao atacar a Venezuela.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




