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Passo a passo da operação: como foi o sequestro de Maduro

Ação militar articulada pela CIA e forças especiais retirou à força o presidente venezuelano do país após meses de planejamento secreto

Caças dos EUA taxiando na antiga base naval de Roosevelt Roads, em Ceiba, Porto Rico (Foto: Reuters/Eva Marie Uzcategui)

247 - Uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, retirados à força de uma residência fortemente protegida em Caracas durante a madrugada de sábado. A ação, autorizada pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolveu ataques aéreos, infiltração terrestre e uso intensivo de inteligência, em um episódio que expõe uma violação direta da soberania venezuelana.

Os detalhes do sequestro foram revelados em reportagem da agência Reuters, que descreve a ofensiva como uma das operações mais complexas já realizadas por Washington nos últimos anos, fruto de meses de preparação sigilosa no Pentágono e na CIA.

Segundo a apuração, tropas de elite dos Estados Unidos, incluindo a Delta Force do Exército, construíram uma réplica exata da chamada “casa segura” onde Maduro se encontrava. O objetivo era ensaiar minuciosamente a invasão do imóvel, descrito como altamente fortificado e localizado em área urbana da capital venezuelana.

A CIA manteve, ainda de acordo com a Reuters, uma pequena equipe em solo venezuelano desde agosto, responsável por mapear a rotina do presidente. Duas fontes afirmaram que a agência também contava com um informante próximo a Maduro, encarregado de monitorar seus deslocamentos e indicar sua localização exata no momento da ação, o que tornou a captura rápida.

Com as informações reunidas, Donald Trump aprovou o plano quatro dias antes da execução, mas aceitou recomendações militares para aguardar melhores condições climáticas. A autorização final foi dada às 22h46 de sexta-feira, no horário da Costa Leste. O presidente acompanhou a operação a partir de seu clube em Mar-a-Lago, na Flórida, ao lado de assessores.

Horas após o término da ação, Trump comentou o resultado em entrevista à Fox News: “Eu já fiz algumas operações muito boas, mas nunca vi nada parecido com isso”, disse.

O sequestro ocorreu em meio a uma ampla mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe, oficialmente apresentada como parte de operações antidrogas. Segundo autoridades norte-americanas, a região recebeu um porta-aviões, 11 navios de guerra, mais de uma dezena de caças F-35 e o deslocamento de mais de 15 mil militares.

Fontes ouvidas pela Reuters relataram que um núcleo político e militar — formado pelo assessor Stephen Miller, pelo secretário de Estado Marco Rubio, pelo secretário de Defesa Pete Hegseth e pelo diretor da CIA, John Ratcliffe — coordenou a operação ao longo de meses, com reuniões frequentes e contato direto com o presidente.

Na noite de sexta-feira e nas primeiras horas de sábado, aeronaves dos Estados Unidos decolaram de diversas bases no hemisfério ocidental e realizaram ataques contra alvos militares em Caracas e nos arredores da cidade, incluindo sistemas de defesa aérea. O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, afirmou que mais de 150 aeronaves participaram da ofensiva, partindo de 20 bases diferentes.

Trump reforçou o caráter massivo da operação ao declarar à Fox News: “Tínhamos um caça para cada situação possível”.

Imagens feitas pela Reuters na base aérea de La Carlota mostraram veículos militares venezuelanos carbonizados, pertencentes a uma unidade antiaérea. Enquanto os ataques aéreos ocorriam, forças especiais norte-americanas avançaram para Caracas em helicópteros, sob fogo. Um dos aparelhos chegou a ser atingido, mas conseguiu continuar em voo.

Vídeos divulgados por moradores da capital mostraram helicópteros voando em baixa altitude sobre a cidade. Ao chegar à residência onde Maduro estava, militares dos Estados Unidos, acompanhados por agentes do FBI, invadiram o imóvel. Trump descreveu o local como uma “fortaleza muito bem guardada” e afirmou que as equipes romperam portas de aço instaladas especificamente para impedir invasões.

Segundo o general Dan Caine, após a entrada forçada, Nicolás Maduro e sua esposa se renderam. Trump afirmou que o presidente venezuelano tentou alcançar um cômodo de segurança, mas não conseguiu: “Ele foi surpreendido tão rapidamente que não conseguiu entrar ali”.

O presidente dos Estados Unidos disse ainda que alguns militares norte-americanos ficaram feridos durante a ação, mas que não houve mortes. Durante a retirada do território venezuelano, as tropas se envolveram em confrontos descritos pelo comando militar como ações de autodefesa.

Por volta das 3h20 da manhã, os helicópteros já estavam sobre o mar, levando Maduro e sua esposa para fora da Venezuela. Horas depois, Donald Trump divulgou uma imagem do presidente venezuelano capturado, algemado e vendado, a bordo do navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, confirmando a conclusão do sequestro conduzido por forças estrangeiras.

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