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EUA ainda não definiram plano para Venezuela após sequestro de Maduro

Wall Street Journal revela indefinições sobre transição, tropas e financiamento após operação militar contra o território venezuelano

Presidente dos EUA, Donald Trump 16/10/2025 (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

247 - O anúncio da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi feito em tom festivo pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que Washington assumiria o comando do processo de transição no país. Apesar da retórica triunfal, o governo americano não apresentou detalhes concretos sobre o futuro imediato da Venezuela, revelando um cenário marcado por incertezas políticas, militares e econômicas, destaca o jornal O Globo, citando o Wall Street Journal .

Os secretários de Estado, Marco Rubio, e da Guerra/Defesa, Pete Hegseth, trabalham na elaboração de uma estrutura de governo ao lado do conselheiro presidencial Stephen Miller, mas a proposta ainda não ganhou forma clara nem consenso interno.

Governo Trump admite indefinição estratégica

Durante entrevista coletiva realizada no sábado (3), Donald Trump não descartou a manutenção de tropas estadunidenses na Venezuela nem a possibilidade de novos ataques, caso julgue necessário. A menção à presença militar prolongada causou apreensão em Washington, onde intervenções externas costumam gerar forte resistência política e institucional.

O presidente também sinalizou que não pretende dialogar com figuras centrais da oposição ao chavismo, como a Nobel da Paz María Corina Machado. Trump indicou simpatia pela vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu assumir o poder após decisão da Suprema Corte, além de reiterar o interesse dos Estados Unidos na exploração do petróleo venezuelano.

Petróleo, tropas e custos no centro do debate

Em sua primeira manifestação após a operação, Delcy Rodríguez e integrantes do alto escalão do governo venezuelano reafirmaram lealdade a Maduro, a quem chamaram de “único presidente”, e exigiram sua libertação. A reação evidenciou o risco de instabilidade interna e ampliou as incertezas sobre o futuro político do país.

No campo militar, o Pentágono ainda não definiu por quanto tempo as forças estadunidenses permaneceriam na região nem o efetivo necessário para uma eventual ocupação. Desde meados de agosto, os Estados Unidos ampliaram sua presença armada no Caribe, inicialmente sob o argumento de combate ao narcotráfico, movimento que depois se confirmou como parte de uma operação voltada à remoção de Maduro do poder.

Risco de instabilidade interna preocupa analistas

A questão financeira também segue em aberto. No fim de dezembro, a revista National Inquirer estimou que a operação Lança do Sul já havia custado US$ 600 milhões aos cofres americanos, sem incluir os gastos específicos do ataque contra Maduro. Segundo o Pentágono, a ofensiva envolveu dezenas de aeronaves, embarcações navais e tropas de elite atuando no núcleo do poder chavista.

De acordo com a reportagem, não há planos imediatos para solicitar recursos adicionais ao Congresso. No sábado, Trump sugeriu que a venda do petróleo venezuelano poderia ajudar a financiar a operação. Apesar de a Venezuela deter as maiores reservas comprovadas do planeta, especialistas apontam desafios estruturais significativos para elevar a produção, após décadas de sanções e falta de investimentos.

“O pior cenário seria que partes das Forças Armadas aderissem ao plano dos EUA, enquanto outras resistissem, e a situação evoluísse para uma espécie de conflito armado interno”, afirmou Phil Gunson, analista do International Crisis Group.

Críticas no Congresso expõem divisão em Washington

Mesmo nos Estados Unidos, a ofensiva não é consenso. Embora Trump e aliados celebrem a captura do que classificam como um adversário regional, parlamentares expressam preocupação com a ausência de um plano estruturado.

“Eu vivi as consequências de uma guerra ilegal vendida ao povo americano com mentiras”, escreveu o senador democrata Ruben Gallego, ex-fuzileiro naval que serviu no Iraque, em suas redes sociais. “Juramos que jamais repetiríamos esses erros. E aqui estamos nós novamente. O povo americano não pediu por isso, o Congresso não autorizou isso, e nossos militares não deveriam ser enviados para o perigo em mais um conflito desnecessário”, disse Gallego.

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