Vídeo do resort fez Fachin defender Toffoli
Distorções e exageros sobre vídeo do Metrópoles foram a gota d’água e convenceram o presidente do STF a defender o ministro e a Corte
O noticiário afirma que Toffoli “utiliza o resort” como se o vídeo fosse recente, mas é de 2023 – época em que o local pertencia aos irmãos do ministro e não havia irregularidades no Banco BTG Pactual. E omite que a última visita de Toffoli ao resort foi em agosto de 2025, antes do escândalo que atingiu seu controlador.
Outro ponto que vem sendo explorado pela mídia de forma distorcida é o fato de que, em dezembro de 2018, no âmbito da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, Toffoli votou pelo arquivamento de inquérito que investigava André Esteves por suposto envolvimento em crimes como corrupção e lavagem de dinheiro (ligados à Operação Lava Jato e a delações).
As afirmações escondem que o voto de Toffoli, naquele ano, ocorreu sob unanimidade da Segunda Turma do Tribunal, no mesmo sentido. Os ministros que votaram junto com Toffoli foram Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, mas o noticiário escamoteia esse fato. E foi cinco anos antes do encontro filmado no resort.
O abuso, a escandalização de fatos comuns em Brasília e no Poder Judiciário, corriqueiramente, convenceram Fachin a sair do imobilismo e desmentiram afirmações midiáticas de que o presidente do STF estaria discutindo o caso de Toffoli com os colegas da Corte, como se essas conversas fossem excluir o novo ministro alvejado pela mídia.
Nunca é demais lembrar que, poucas semanas antes, matéria sem nenhuma evidência concreta, da jornalista Malu Gaspar, tentou desgastar de forma esmagadora o ministro Alexandre de Moraes.
Ou seja: em questão de cerca de um mês, dois ministros do Supremo foram expostos à execração pública sob supostas evidências inaceitáveis em qualquer tribunal, mas apresentadas como provas cabais e acompanhadas de pedidos de impeachment e até de prisão.
A nota de Fachin é muito clara no sentido de advertir os meios de comunicação de que o Tribunal não irá se deixar intimidar e de que não haverá mudança alguma na relatoria sob pressões externas:
“A seu turno, a Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório e pela ampla defesa, cumprindo respeitar os campos de atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal, porém atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo ministro relator, DIAS TOFFOLI".
Fachin cita Toffoli em caixa alta, como que para deixar bem claro o apoio a ele. O presidente do Poder Judiciário, em tom duro de advertência, também afirma que o Tribunal “não se rende” a “nenhuma pressão midiática”.
Em outro trecho, Fachin faz uma advertência aos que acreditam que podem intimidar o Poder Judiciário:
“O Supremo age por mandato constitucional, e nenhuma pressão política, corporativa ou midiática pode revogar esse papel. Defender o STF é defender as regras do jogo democrático e evitar que a força bruta substitua o direito. A crítica é legítima e mesmo necessária. Não obstante, a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça".
Os abusos ficam claros em meio a exageros e meias verdades; exigências de julgamento e punição sumários de um ministro do STF são inaceitáveis. A mera aceitação de imposições de destituição, antes de sequer uma análise detida das “denúncias” contra ele, seria a materialização da barbárie.
Ademais, resta saber quais são as intenções de órgãos de imprensa com longo histórico de interesses políticos ao quererem fragilizar o pilar institucional de uma nação, que é o seu Poder Judiciário. A insegurança jurídica que se seguiria a essa loucura teria consequências funestas para toda a nação, atirando-a no caos.
Desde a Lava Jato, Edson Fachin se posicionou a favor da pressão midiática. Ao lado de Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, tentou abertamente impedir que o STF declarasse Moro suspeito para julgar Lula. Para ter adotado a posição que adotou, foi preciso um abuso político-midiático sem precedentes.
Antes tarde do que nunca.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


