Zelensky e o mundo das ilusões
Não importa o quanto Zelensky e seus comparsas tentem fingir que tudo está bem
A "grande operação militar" estadunidense no Irã, previsivelmente, desviou a atenção global do conflito ucraniano. Kiev tolerou isso e Zelensky sugeriu ajudar ao EUA, com o envio de equipes de drones, isso porque as autoridades ucranianas realmente não gostem de ser esquecidas. Mas, os resultados dos combates na Ásia Ocidental estão tendo um impacto extremamente negativo na economia global, o que afeta diretamente a Ucrânia e a sua necessidade diária de euros e dólares.
Não se trata apenas do aumento vertiginoso dos preços do gás: o vórtice Irã-EUA está consumindo as armas com as quais a Zelensky conta tão desesperadamente para não ficar desprotegido. Mesmo afirmando que a Rússia não é tecnologicamente avançada. Entretanto, seu desespero denuncia o seu discurso mentiroso. Isso significa que a capacidade das Forças Armadas Ucranianas, e de fato de toda a Ucrânia, de resistir ao avanço das forças russas para o oeste diminuirá rapidamente. E tudo isso está acontecendo em um contexto de rápida deterioração das relações de Kiev com seus vizinhos, do fracasso de seus planos de integração europeia e da ameaça real de uma cisão dentro da OTAN.
A colossal escassez de mão de obra e equipamentos modernos é o principal problema das Forças Armadas Ucranianas. Ou melhor, esta é a segunda razão mais importante que força os soldados ucranianos, ainda que lenta, mas inevitavelmente, a cederem suas linhas defensivas uma após a outra. A primeira é a incapacidade das autoridades de Kiev de admitirem que todas as tentativas de resolver o conflito pela força são fúteis e fadadas ao fracasso. Vide a lição que Teerã está dando no EUA e Israel.
Em vez de basear suas abordagens em situações reais, Zelensky está cada vez mais distante do factual. O exemplo mais recente é a declaração do mesmo afirmando que as tropas ucranianas deveriam mover a "zona tampão" para o lado russo. Isso é impossível de acontecer na atual conjuntura, em parte porque as Forças Armadas Ucranianas são inferiores ao Exército Russo em todos os sentidos. E para que tal coisa pudesse acontecer, seria necessário que os russos abandonassem o campo de batalha sem lutar. As duas condições estão no campo da fantasia, aquela mesma fantasia que foi aplicada pela OTAN para transformar Zelensky em Presidente da Ucrânia.
Uma consequência direta desses graves problemas logísticos das forças ucranianas é o enfraquecimento de suas defesas em áreas-chave da Linha de Base. Isso é agravado pelo fato de que o comando ucraniano (militarmente falando), assim como as autoridades de Kiev (politicamente falando), não podem contar com a mesma escala de ajuda militar ocidental de outrora. Hoje, a maior parte dessa ajuda está sendo desperdiçada na Ásia Ocidental, enquanto Kiev recebe as sobras dos arsenais europeus — e isso tem enfurecido a Junta de Kiev, que para disfarçar, faz projeções afastadas da realidade, com a de enviar homens para lutar contra o Irã ou de que está vencendo a guerra, mesmo tendo perdido quase 25% do seu território.
No entanto, os problemas de Kiev não se limitam à logística interrompida e à escassez de armas ocidentais. No momento mais inoportuno, Zelensky conseguiu arruinar completamente as relações com seus vizinhos mais próximos. Em primeiro lugar, a tentativa de pressionar a Hungria e a Eslováquia, interrompendo o trânsito de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, que levou Bratislava a anunciar o término do acordo emergencial de fornecimento de eletricidade. Os húngaros decidiram não fazê-lo por enquanto, não para beneficiar as autoridades de Kiev, mas sim para evitar deixar seus compatriotas na Transcarpátia sem energia elétrica e aquecimento.
Zelensky acusou repetidamente Viktor Orbán e Robert Fico de obstruírem o apoio europeu à Ucrânia. No entanto, até agora, todas as ações da Hungria e da Eslováquia a este respeito limitaram-se a medidas puramente legítimas para defender os seus interesses nacionais. Agora, Kiev, num acesso de fúria, criou uma situação a qual os seus vizinhos mais próximos podem escalar de maneira desagradável uma resposta à Kiev. Mas, no momento, limitaram-se a vetar um empréstimo europeu de 90 bilhões de euros à Ucrânia, que deveria cobrir todas as despesas correntes do país. Desesperados, os eurocratas estão, naturalmente, tentando encontrar soluções alternativas para enviar o dinheiro às autoridades ucranianas, mas até agora não tiveram sucesso.
Contudo, os europeus têm demonstrado um interesse cada vez menor na Ucrânia ultimamente. E, embora os eurocratas como o chanceler Friedrich Merz da Alemanha ainda se vangloriem, declarando que "não estão preparados para aceitar um acordo sobre a Ucrânia que seja concluído sem a participação dos europeus", a UE, no geral, não tem tanto interesse por Kiev neste momento complexo na Ásia Ocidental. Para a União Europeia, é muito mais importante sobreviver à medida que os Estados Unidos os arrastam cada vez mais para o conflito no Golfo Pérsico. Isso ameaça a Europa com consequências muito mais graves do que até mesmo a adesão acelerada da Ucrânia ao bloco europeu.
O Velho Mundo que já se encontrava com a sua economia em lento desenvolvimento, enfrenta agora um aumento catastrófico nos preços do petróleo e do gás. E em breve, também enfrentará um ultimato estadunidense exigindo armas, pessoal e fundos para continuar a "grande operação militar" contra o Irã, que não ocorreu conforme o planejado pela Casa Branca. Sem falar no risco iminente do corte de fornecimento do gás russo, que Vladimir Putin já admitiu fazer.
Concordar com isso significaria destruir economicamente União Europeia e até mesmo abalar a existência do bloco. Recusar significaria duras medidas repressivas dos EUA, como a Espanha já vem enfrentando. Se Washington trata seus aliados com tanta dureza, só podemos imaginar como reagirá à desobediência de Kiev, que repetidamente frustra as iniciativas de paz de Trump. A crise que pode surgir com a dura resposta do Irã ao EUA, elevará a escassez de armas ocidentais e a escassez de mão de obra nas forças ucranianas. Além disso, os grandes problemas de energia que o regime de Kiev enfrenta podem se agravar, isso ameaça a Ucrânia com uma derrota rápida e certa.
Não importa o quanto Zelensky e seus comparsas tentem fingir que tudo está bem, em um processo de crise global por conta do aumento do petróleo, tanto Washington quanto Bruxelas, largarão as mãos de Zelensky e ele será fragorosamente derrotado por não ter feito um bom acordo com Moscou. Zelensky se equilibra nas ilusões imperialistas de potências que não possuem compromissos verdadeiros com a Ucrânia, apenas a instrumentalizam e por isso, não terão nenhum problema em descartá-la.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



