HOME > Brasil Soberano

Lula diz que Trump 'não provocaria' o Brasil se conhecesse a "sanguinidade de Lampião"

Lula ironiza o presidente dos Estados Unidos durante agenda no Butantan e reforça defesa do multilateralismo

Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Presidente dos EUA, Donald Trump)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (9), ao afirmar, em tom de brincadeira, que o norte-americano não provocaria o Brasil caso conhecesse o que chamou de “sanguinidade de Lampião” em um presidente brasileiro. A declaração ocorreu durante agenda oficial no Instituto Butantan, em São Paulo, marcada por anúncios de investimentos na produção nacional de vacinas e insumos farmacêuticos.

Ao comentar uma possível viagem aos Estados Unidos, Lula afirmou que tem perfil persistente e reagiu às provocações internacionais com uma fala bem-humorada. “Quando eu viajar [para os EUA], eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso, sabe? Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, disse.

Na sequência, Lula afirmou que o Brasil não pretende entrar em confronto direto com Trump e defendeu que o país deve concentrar esforços em fortalecer o multilateralismo como eixo central da política externa. “Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer? Então, a briga do Brasil é a briga da construção da narrativa, nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo”, declarou.

O presidente também argumentou que a cooperação internacional foi decisiva para garantir estabilidade em diversas regiões desde o fim da Segunda Guerra Mundial. “Nós precisamos provar, num debate político, que foi o multilateralismo, depois da Segunda Guerra Mundial, que criou uma harmonia entre os Estados, e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora, pelo menos numa parte do mundo”, afirmou.

Lula criticou ainda a lógica do unilateralismo nas relações internacionais, ao sustentar que a imposição da força não atende aos interesses brasileiros. “O unilateralismo imposto pela teoria que de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco, a nós, não interessa”, acrescentou.

Investimento de R$ 1,4 bilhão amplia estrutura do Instituto Butantan

A declaração de Lula foi dada durante visita ao Instituto Butantan, quando o governo anunciou um pacote de investimentos para ampliar a estrutura da instituição e elevar a capacidade de produção de vacinas e insumos imunobiológicos no Brasil. A previsão é de um aporte total de R$ 1,4 bilhão.

O plano inclui a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA), etapa fundamental para reduzir a dependência do país em relação às importações. Entre os imunizantes citados no anúncio estão a vacina DTPa, contra difteria, tétano e coqueluche, além da vacina contra o HPV.

Governo anuncia início de vacinação contra dengue no SUS

Durante a cerimônia, também foi anunciado o início da vacinação contra a dengue voltada a profissionais de saúde da Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida está associada ao desenvolvimento de uma vacina 100% nacional pelo Instituto Butantan.

Artigos Relacionados