Leilão do Eco Invest Brasil bate recorde e fortalece mercado de equity com demanda de R$ 80 bilhões
Mais de R$ 11 bilhões serão destinados ao desenvolvimento de startups e pequenas e médias empresas, com foco em negócios inovadores
247 - O Programa Eco Invest Brasil alcançou um marco histórico ao registrar o maior leilão já realizado no país voltado ao financiamento de empresas inovadoras e à aceleração da transição ecológica. O resultado consolida uma nova fase para o mercado brasileiro de investimentos em participação societária, com ampliação significativa do volume de recursos direcionados a projetos de longo prazo.
Segundo informações divulgadas pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (28), o resultado do 3º Leilão do Eco Invest Brasil indicou uma demanda com potencial de mobilizar cerca de R$ 80 bilhões em investimentos em equity, a partir de R$ 24 bilhões em recursos públicos. Do total demandado, foram homologados R$ 15 bilhões em capital catalítico público, capazes de viabilizar aproximadamente R$ 53 bilhões em aportes.
Demanda recorde e impacto no mercado
O Eco Invest Brasil é uma iniciativa do Governo Federal destinada a impulsionar investimentos privados sustentáveis e atrair capital externo para projetos estratégicos. O programa oferece instrumentos de proteção parcial contra a volatilidade do câmbio, ampliando a previsibilidade e reduzindo riscos para investidores.
Os recursos viabilizados pelo leilão permitirão investimentos de longo prazo voltados ao apoio a empresas de base tecnológica, startups e negócios em expansão. As operações envolvem estratégias de private equity, direcionadas a empresas em crescimento, e de venture capital, voltadas a iniciativas em estágio inicial, integrando inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
Hedge cambial e previsibilidade ao investidor
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o resultado representa uma mudança estrutural no mercado brasileiro de investimentos em participação societária. “Estamos falando de um montante inédito até então e não apenas no âmbito do Programa, mas no mercado como um todo. Esse resultado muda o ponteiro dos mercados de private equity e venture capital no Brasil. Com esse nível de capital, aliado à proteção cambial e a um desenho de risco bem calibrado, a tese do hedge cambial se concretiza e o mercado ganha previsibilidade para operar valores maiores e ampliar o apetite por projetos de inovação alinhados à transformação ecológica”, declarou.
Dados da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital indicam que, em um período de 12 meses, as propostas homologadas no leilão equivalem a 32,5% do total investido em private equity e venture capital no Brasil entre outubro de 2024 e setembro de 2025.
Bancos lideram a alocação de recursos
Nesta edição, seis instituições financeiras tiveram propostas homologadas. O Itaú liderou o volume aprovado e deverá responder por cerca de 50% do total, com uma carteira próxima de R$ 30 bilhões. Em seguida, aparece a Caixa, com um portfólio de R$ 9 bilhões. Também tiveram lances homologados Bradesco, HSBC, BNDES e Banco do Brasil.
Prioridade para transição energética e inovação
A alocação dos recursos segue as diretrizes do Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil. Projetos de Transição Energética concentraram 64,5% das propostas homologadas, seguidos por Bioeconomia (16%), Infraestrutura Verde para Adaptação (10,4%) e Economia Circular (9,1%).
Entre os projetos destacados estão iniciativas ligadas à produção de combustível sustentável de aviação, com R$ 12,2 bilhões, e às cadeias de baterias e veículos elétricos, que somaram R$ 9,3 bilhões, reforçando o foco em setores estratégicos da transição energética.
Integração com cadeias produtivas globais
Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o resultado evidencia a convergência entre política ambiental, inovação e desenvolvimento econômico. “O Eco Invest Brasil exemplifica a atuação integrada do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima com o Ministério da Fazenda, o Tesouro Nacional, o BNDES e parceiros internacionais para alavancar investimentos privados a partir de recursos públicos. A iniciativa tem como base o Fundo Clima, que saiu do patamar de cerca de R$ 400 milhões por ano para R$ 51 bilhões, já considerando o orçamento de 2026, com recursos do Governo do Brasil, ampliando de forma expressiva a capacidade de indução do Estado. Na mesma direção, o Eco Invest já ultrapassa R$ 127 bilhões em potencial de mobilização de recursos para a transição ecológica, evidenciando o apetite do setor privado por projetos sustentáveis e inovadores”, afirmou.
O Eco Invest Brasil é coordenado pelos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da Embaixada do Reino Unido no Brasil. O presidente do Grupo BID, Ilan Goldfajn, avaliou que “o grande sucesso do terceiro leilão do Eco Invest é motivo de orgulho para o Grupo BID, parceiro da iniciativa desde sua concepção, e indica que este é um modelo de incentivo a projetos de desenvolvimento que pode ser escalável”.
Já a embaixadora do Reino Unido no Brasil, Stephanie Al-Qaq, destacou: “Os resultados do terceiro leilão do Eco Invest demonstram o apetite do mercado por instrumentos financeiros bem estruturados que acelerem a transição ecológica. O Reino Unido se orgulha de apoiar iniciativas como esta, que combinam capital público com a mobilização de investimentos privados em escala, fortalecendo setores-chave como a transição energética, a bioeconomia e a economia circular”.
Com três leilões concluídos, o Eco Invest Brasil soma R$ 127 bilhões mobilizados para projetos voltados à transição ecológica, consolidando-se como um dos principais instrumentos de indução de investimentos sustentáveis no país.


