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Alessandro Vieira diz que prisão de ministros do STF é inevitável: "vai chegar"

Senador afirma que fatos permanecem e cobra coragem do Senado para investigar supostos ilícitos envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal

Alessandro Vieira e Gilmar Mendes (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado | Luiz Silveira/STF)

247 - O senador Alessandro Vieira afirmou ter “absoluta certeza” de que o Brasil verá, em algum momento, a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada em entrevista à Revista Oeste no YouTube, onde o parlamentar comentou o cenário político e institucional envolvendo investigações e o papel do Senado.

Durante a entrevista, Vieira sustentou que eventuais irregularidades não desaparecerão com o tempo e que a sociedade tende a pressionar por respostas. “Eu tenho absoluta certeza que esse momento vai chegar. Absoluta certeza. Ele pode chegar nessa legislatura, na próxima, na seguinte, tanto faz. Porque os fatos eles não desaparecem”, declarou.

O senador também criticou o que classificou como tentativas de intimidação. Segundo ele, “não adianta uma declaração autoritária, não adianta uma ameaça. Os fatos permanecem, os fatos estão ali e cada vez mais brasileiros e brasileiras estão enxergando esses fatos”.

Ao abordar o papel do Congresso, Vieira afirmou que a falta de avanço em investigações pode levar a mudanças na composição do Senado. “Se essa legislatura se findar agora esse ano e não tiver a coragem, a independência para fazer o seu trabalho, ela será substituída, fortemente alterada nas eleições de outubro”, disse.

Ele destacou ainda que o enfrentamento de temas sensíveis exige preparo e independência. “Aqui a gente não lida com criminoso pequeno. Se a gente tá falando de investigação, a gente lida com os maiores interesses da República, com as pessoas mais importantes, mais fortes, mais poderosas”, afirmou.

Sobre a tramitação de eventuais processos contra ministros do STF, o senador explicou que há entraves institucionais. “O impedimento de um ministro, o impeachment de um ministro, ele exige um despacho unilateral do presidente da casa. E o presidente Davi já falou inúmeras vezes que não dará esse despacho”, disse, ao mencionar o presidente do Senado.

Vieira também comentou o destino de provas coletadas em comissões parlamentares de inquérito (CPIs). De acordo com ele, materiais não sigilosos costumam ser arquivados, enquanto documentos sigilosos podem ser destruídos, embora cópias estejam distribuídas em órgãos como Receita Federal, Banco Central e Polícia Federal.

O parlamentar afirmou que parte dessas informações pode chegar ao Supremo. “Esse conjunto probatório, ele vai ser submetido em algum momento ao ministro relator André Mendonça”, disse, citando investigações relacionadas a instituições financeiras e seus desdobramentos.

Ao avaliar o cenário atual, o senador foi direto ao apontar dificuldades para avanços imediatos. “Com esse quórum que eu tenho aqui hoje é muito improvável um avanço”, afirmou. Ainda assim, defendeu persistência: “Desistir do Brasil não pode ser uma opção para as pessoas de bem. A gente tem que resistir, fazer enfrentamento, perde, levanta a cabeça, vai de novo”.

Vieira também criticou a rejeição de relatórios em CPIs e mencionou mudanças de votos durante processos decisórios. Segundo ele, “votos decisivos de senadores que não participaram da CPI, que não leram o documento, que não sabiam o conteúdo no qual estavam votando” influenciaram o resultado.

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