Aliados de Raquel Lyra rejeitam apoio do PL a Flávio Bolsonaro em Pernambuco
Grupo da governadora de Pernambuco descarta aliança com Flávio Bolsonaro após anotações do senador indicarem apoio à reeleição
247 - Aliados da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), avaliam que não deve avançar a sinalização de apoio feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) à sua eventual candidatura à reeleição em 2026. Anotações atribuídas ao parlamentar, com estratégias do PL nos estados, indicam que, em Pernambuco, o único nome considerado pela legenda para o governo seria o da atual chefe do Executivo estadual.
Procurada, a governadora não comentou o possível apoio. Integrantes de seu grupo político, no entanto, afirmam que a proposta não deve sair do papel. A avaliação é de que a aliança não se encaixa na estratégia eleitoral da gestora.
Raquel mantém proximidade política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022 em Pernambuco por 67% a 33%. O principal adversário da governadora no estado é o prefeito do Recife, João Campos (PSB), cuja legenda tende a compor aliança com o PT, formando palanque para Lula.
Em reunião realizada neste mês, Raquel reafirmou a Lula que apoiará sua reeleição, desde que o presidente mantenha neutralidade na disputa estadual. Aliados da governadora e integrantes do próprio PL em Pernambuco avaliam que ela não deve fazer campanha para Flávio Bolsonaro.
Entre bolsonaristas no estado, há a percepção de que Raquel seria a alternativa possível diante da rejeição a João Campos. O deputado federal Coronel Meira (PL-PE) declarou: "Tenho ressalvas em relação a ela, sobretudo na parte de segurança pública, mas os únicos candidatos no estado são Raquel e João. No segundo turno da eleição passada, votei nela".
Impasse na disputa ao Senado
As anotações também apontam indefinição na corrida ao Senado em Pernambuco. Os nomes inicialmente cogitados são Anderson Ferreira (PL) e Miguel Coelho (União Brasil). No entanto, o nome de Anderson aparece riscado no documento, substituído por “Mendonça Filho (PL)”, indicando expectativa de que o ex-ministro deixe o União Brasil e se filie ao PL para disputar a vaga.
Mendonça Filho não se manifestou. A possível filiação divide o partido. Em uma das observações, consta: “Cel Meira gosta. Só Gilson não gosta”. Procurado, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) contestou a anotação e afirmou: "Sou amigo de Mendonça, como vou ser contra?". Ele acrescentou que é pré-candidato ao Senado ou à Câmara e que conta com o apoio de Jair Bolsonaro para concorrer.
Embora seja considerado um nome viável para o Senado, Mendonça trabalha, neste momento, com a perspectiva de buscar a reeleição à Câmara dos Deputados.
Estratégia nacional do PL
O rascunho atribuído a Flávio Bolsonaro percorre todos os estados e reúne avaliações sobre possíveis candidaturas ao governo e ao Senado, além de cenários de composição.
Em Minas Gerais, há a anotação de que o vice-governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato ao governo, o “puxa para baixo”. A interpretação interna é de que a observação decorre do compromisso de Simões com o governador Romeu Zema (Novo) na disputa presidencial. Mateus declarou: "Acho que minha relação com o PL local e com Nikolas [Ferreira] mostra que esse é um risco que podemos minimizar em um palanque 'misto'", ao sugerir a possibilidade de dividir apoio entre Zema e Flávio.
No Paraná, aparece a possibilidade de palanque duplo caso o governador Ratinho Júnior (PSD) dispute a Presidência. Para o governo estadual, são mencionados o secretário Guto Silva (PSD) e o senador Sergio Moro (União Brasil).
Na Bahia, há o registro de que Flávio pretende procurar ACM Neto (União Brasil) antes de estruturar palanque. O ex-prefeito não comentou. Em Alagoas, as opções ao governo seriam o prefeito JHC (PL) e o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). Sobre Gaspar, consta a anotação: “Único que pedirá voto para mim”.
O documento também reúne observações sobre Goiás, Pará, Sergipe, Rio Grande do Norte, Amazonas, Roraima e Rondônia, com referências a possíveis trocas partidárias, desistências e avaliações sobre viabilidade eleitoral. Em alguns casos, há comentários sobre índices de desaprovação de governadores e sobre riscos de composições consideradas desfavoráveis.


