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Antes da versão pró-vacina, Flávio Bolsonaro defendeu cloroquina e atacou isolamento na pandemia

Levantamento mostra que senador apoiou tratamento sem eficácia comprovada antes de assumir discurso favorável à vacinação contra a Covid-19

Antes da versão pró-vacina, Flávio Bolsonaro defendeu cloroquina e atacou isolamento na pandemia (Foto: Brasil 247 )
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247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje pré-candidato e frequentemente apresentado como o “Bolsonaro que toma vacina”, adotou durante os primeiros momentos da pandemia de Covid-19 posições alinhadas ao discurso negacionista defendido pelo então presidente Jair Bolsonaro. As manifestações incluíram defesa da cloroquina, críticas ao isolamento social e apoio a teses rejeitadas pela comunidade científica.

As informações foram publicadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que relembrou declarações do parlamentar entre 2020 e 2021. Apesar de posteriormente passar a defender a vacinação, Flávio sustentou durante boa parte da crise sanitária posições contrárias às orientações médicas e científicas adotadas em diversos países para conter o avanço do coronavírus.

Em setembro de 2020, após contrair Covid-19, o senador utilizou as redes sociais para promover medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença. “Estou curado da Covid-19, graças a Deus! Tratei, desde os primeiros sintomas, com hidroxicloroquina e azitromicina, com acompanhamento médico! Comigo, já são quase 3,3 milhões de brasileiros recuperados!”, escreveu na ocasião.


Críticas ao isolamento social

Além da defesa do chamado “tratamento precoce”, Flávio Bolsonaro também se posicionou contra medidas de distanciamento social adotadas por governadores e autoridades sanitárias no auge da pandemia. Em março de 2020, ele afirmou que o país deveria abandonar o chamado isolamento horizontal.

“Vamos sair do isolamento horizontal para o vertical, protegendo os mais vulneráveis e permitindo que pessoas voltem a trabalhar”, publicou o senador em 24 de março daquele ano. A proposta do chamado “isolamento vertical” defendia que apenas idosos e pessoas com comorbidades permanecessem em casa, enquanto o restante da população continuaria circulando normalmente.

No mesmo dia, Flávio elogiou Jair Bolsonaro por defender a manutenção das atividades econômicas e da circulação de pessoas, aderindo à campanha “O Brasil Não Pode Parar”. “Mantendo-se o isolamento total das pessoas, a previsão é de chegarmos a 40 milhões de desempregados. Certamente muito mais pessoas morreriam. Parabéns, presidente Jair Bolsonaro, pela coragem de agir no agora e pensar no pós-crise. Isso que se espera de um estadista”, declarou.

Defesa do “tratamento precoce”

Mesmo após o início da vacinação no Brasil, o senador continuou defendendo medicamentos sem comprovação científica contra a Covid-19. Em março de 2021, reagindo a críticas feitas pelo então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, Flávio afirmou que “tratamento precoce e vacina são totalmente complementares”.

Naquele mesmo período, o parlamentar também compartilhou um vídeo que comparava governadores a nazistas em campos de concentração. Segundo o conteúdo divulgado por Flávio Bolsonaro, as restrições econômicas impostas por estados e municípios durante a pandemia seriam equivalentes à seleção de pessoas para viver ou morrer promovida pelo regime nazista.

A comparação ocorreu justamente quando o senador começava a demonstrar mudança de postura em relação às vacinas. O agravamento da pandemia e o desgaste político do governo federal passaram a influenciar uma inflexão no discurso de integrantes do bolsonarismo.

Aproximação com a vacinação

Em março de 2021, Flávio Bolsonaro se uniu ao senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) para formular um projeto de lei voltado à facilitação da compra de vacinas pelo Brasil. O movimento marcou uma diferença em relação à postura adotada pelo então presidente Jair Bolsonaro, que mantinha críticas aos imunizantes.

Meses depois, em julho de 2021, o senador divulgou imagens em que aparecia recebendo a vacina contra a Covid-19 aplicada pelo então ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. A partir dali, publicações favoráveis à vacinação passaram a se tornar frequentes em suas redes sociais.

Apesar disso, algumas declarações seguiram sendo alvo de contestação. Em setembro de 2021, Flávio publicou que “todas as vacinas aplicadas no Brasil, sem exceção, foram adquiridas pelo governo Bolsonaro”, desconsiderando a atuação do então governador de São Paulo, João Doria, na aquisição da CoronaVac, imunizante desenvolvido em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

De acordo com a Folha de S.Paulo, a assessoria de Flávio Bolsonaro foi procurada entre os dias 13 e 15 de maio para comentar as declarações e posicionamentos do senador durante a pandemia. No entanto, não houve resposta aos questionamentos encaminhados pela reportagem.

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