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Antes de morrer, Sicário mandou família procurar pai de Vorcaro

Depoimentos à PF revelam que aliado de Daniel Vorcaro orientou mãe e irmã a buscar Henrique Vorcaro logo após ser preso

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pela PF como "sicário" de Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)
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247 - Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, orientou a própria família a procurar Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, poucas horas antes de se enforcar em uma cela da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais. A informação consta de depoimentos prestados à PF no inquérito que investiga a morte de Mourão e foi revelada pelo jornalista Octavio Guedes, da GloboNews, com base em documentos da investigação e na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Sicário foi preso em 4 de março durante mais uma etapa da Operação Compliance Zero, mesma ação que levou à segunda prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Logo após ser detido, Mourão utilizou as duas ligações permitidas pela PF para entrar em contato com a mãe, Denise, e com uma irmã. Nas duas conversas, segundo os depoimentos, ele deu a mesma orientação: que ambas procurassem Henrique Vorcaro, pois ele saberia ajudá-las.

Poucas horas depois de ser encarcerado, Sicário se enforcou na cela onde estava preso. A morte cerebral foi confirmada dois dias depois, dando origem a um inquérito ainda sigiloso conduzido pela Polícia Federal para esclarecer as circunstâncias do caso.

Depoimentos ampliam suspeitas

Os relatos da mãe e da irmã de Mourão passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pela PF sobre a relação entre Sicário e o núcleo ligado à família Vorcaro. Para os investigadores, o fato de ele ter recorrido imediatamente a Henrique Vorcaro reforça a proximidade entre ambos e o papel atribuído ao pai do banqueiro no esquema investigado.

Na decisão em que determinou a prisão de Henrique Vorcaro, o ministro André Mendonça afirmou que ele seria responsável pela coordenação de dois grupos utilizados por Daniel Vorcaro para executar ações de interesse da organização: “A Turma” e “Os Meninos”.

Segundo a investigação, “Os Meninos” atuavam na área tecnológica, promovendo ataques hackers, monitoramento clandestino e derrubada de perfis críticos ao Banco Master nas redes sociais. A decisão do ministro descreve o grupo como responsável por “atender comandos emanados do núcleo central da organização criminosa”.

Grupo hacker recebia pagamentos

As investigações também apontam que Sicário mantinha papel operacional dentro da estrutura. Conforme revelou anteriormente o blog da GloboNews, David Henrique Alves, apontado como líder do núcleo hacker, recebia pagamentos mensais de aproximadamente R$ 35 mil feitos por Mourão para executar as ofensivas cibernéticas.

Além disso, o conteúdo dos celulares apreendidos pela Polícia Federal mostra que Sicário manteve contato frequente com Henrique Vorcaro e outros integrantes do grupo nos dias que antecederam sua prisão.

Para a PF, os elementos reunidos até agora indicam que a estrutura investigada operava tanto para intimidar adversários quanto para monitorar alvos considerados estratégicos pelos integrantes do esquema ligado ao Banco Master.

Relação antiga e histórico criminal

Sicário e Daniel Vorcaro se conheceram ainda jovens, em Belo Horizonte. Mourão já era conhecido das autoridades mineiras por sua extensa ficha criminal, que incluía acusações de furto qualificado, estelionato, associação criminosa e falsificação de documentos.

As investigações também o relacionavam a esquemas de desmanche de veículos, golpes virtuais e clonagem de cartões de crédito, além de outras práticas ilícitas.

Agora, os depoimentos das familiares de Mourão colocam Henrique Vorcaro no centro de mais um episódio considerado sensível pela investigação, ao revelar que o homem apontado como operador do núcleo hacker buscou justamente o pai do banqueiro como referência e apoio imediato antes de morrer sob custódia da Polícia Federal.

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